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(a
verdadeira história)
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ex-sacerdote
católico romano
Os
direitos autorais e de publicação desta obra, são de propriedade de Edições
Caminho de Damasco, que autorizou e aprovou a
divulgação nestas páginas.
1.
DEVOTO DA SENHORA APARECIDA
No clima profundamente religioso de minha família, aprendi, desde muito
criança, a ser ardente devoto da Senhora Aparecida, padroeira do Brasil,
segundo pretende o clero.
Como bons católicos, enviaram-me meus pais, aos seis anos de idade, ao
catecismo paroquial na igreja-matriz de São Joaquim da Barra (Estado de São
Paulo), minha terra natal.
Lembro-me perfeitamente. Foi no último domingo do mês de maio de 1931. Nossa
aula de catecismo terminara mais cedo, antes das 3 horas, por causa da
procissão do encerramento de Maio, o "Mês de Nossa Senhora"...
Sob a celeuma da enorme azáfama revoavam as naves do templo. As "Filhas de
Maria" davam os retoques finais nos andores. O de "São"
Benedito, todo de amarelo, deveria sair: – "onde já se viu procissão sem a
sua presença?". O de "São" Sebastião, que só saia em sua festa,
em janeiro, neste ano desfilaria no encalço dos outros em cumprimento de uma
promessa de um dos Junqueira, família abastada da região. O da Imaculada
Conceição estava sendo ornamentado na casa de Dona Sara, a presidente da Pia
União das Filhas de Maria. Iríamos vê-lo na procissão. Reinava irriquieta
curiosidade na expectativa de uma grande e agradável surpresa. A imagem
precisava ser mesmo um deslumbramento porque seria coroada ao final da
procissão, sob a chuva intensa de multicoloridos fogos de artifício.
Rarissimamente nosso vigário, o padre Eugênio, aparecia no catecismo. Aos
domingos à tarde, o seu grande compromisso se resumia em, cervejando, jogar
baralho no bar do Paulo Trombini, ao lado do cinema local.
Naquele dia ele foi. Insofrido, depois de haver explicado que cada país, cada
estado, cada cidade tem um santo protetor, contou-nos que o papa declarara
"Nossa Senhora Aparecida", padroeira do Brasil. Elucidou, ainda, que
Maria "Santíssima" é uma só e que as diversas e muitas denominações a
ela atribuidas não supõem diversas "nossas senhoras". É uma só!
Tendo, porém, se manifestado em Lourdes, é chamada "Nossa Senhora de
Lourdes"; tendo aparecido em Fátima é dita "Nossa Senhora de
Fátima", etc. Relatou-nos, também como apareceu "Nossa Senhora
Aparecida"no Rio Paraíba. Explicou que o Rio Paraíba não ficava no Estado
desse nome, porém, sim no Estado de São Paulo. Informou-nos, ainda na sua pressa,
que no dia 31 daquele mesmo mês de maio, no Rio de Janeiro, a então Capital da
República, haveria uma grande festa, com a presença de todos os bispos do País,
para coroar rainha do Brasil a "Senhora Aparecida".
Lembro-me outrossim do meu encantamento quando na procissão, vi o andor dessa
Senhora, o mais lindo de todos. Todo iluminado, ornamentado de lantejoulas e
ladeado de duas bandeiras e rodeado de pajens trajados de veludo azul. E a
imagem sobre o globo terrestre onde apareciam os contornos do mapa de nossa
Pátria.
No sermão, o padre convidou os fiéis para assistirem à missa do dia 31 em
regozijo pelas solenidades a se darem no Rio de Janeiro, oportunidade em que, a
propósito, informou, contaria os fatos relacionados com a aparição da
"miraculosa Santa".
Com efeito, nesse dia, relatou: – Certa ocasião, o Governador da Capitania de
São Paulo, Conde de Assumar, em viagem para Minas Gerais, pernoitou em
Guaratinguetá, no Norte do nosso Estado. Então a Câmara local decidiu oferecer-lhe
um banquete com uma grande variedade de pratos à base de peixe. À ordem dada
pela Câmara, os três pescadores, Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe
Pedroso foram ao Rio Paraíba, em cuja margem direita se localiza a cidade de
Guaratinguetá. Principiaram as suas tentativas de pesca no Porto de José Corrêa
Leite, descendo até o Porto de Itaguassu, onde João Alves, ao lançar sua rede,
colheu, entre alguns peixes, o corpo de uma imagem, sem cabeça. E, ao repetir a
operação mais abaixo, estupefato, verificou, envolta nos fios da tarrafa, a
cabeça da estátua.
Os esforços, antes improfícuos, tornaram-se compensados com o êxito de
abundante pescaria.
A cabeça ajustou-se exatamente ao corpo da imagem e, maravilhados, os
pescadores viram ambas as partes colarem-se fixamente, apenas encostadas. Foram
os dois primeiros milagres da "Senhora Aparecida" no Rio Paraíba, aos
13 de outubro de 1717.
E prosseguiu o vigário no seu conto:
– Felipe
Pedroso, piedosamente, levou o achado para a sua casa, onde o conservou pelo
espaço de seis anos. Muita gente da redondeza ia, especialmente aos sábados,
rezar diante do oratório. Muitos "milagres" aconteciam e a devoção se
divulgou.
Em 1743, construiu-se uma capela. Em 1846, iniciaram-se as obras de construção
de um templo mais vasto, concluídas em Dezembro de 1888 e permanecem na atual
basílica.
Findo o seu conto, o nosso vigário conclamou todos os fiéis presentes a se
prostrarem ajoelhados para, em uníssono, repetirem uma reza à Senhora Aparecida
coroada, naquela hora, lá no Rio de Janeiro, padroeira e rainha do Brasil: –
"Escolhendo por essencial padroeira e advogada da nossa
Pátria, nós queremos que ela seja inteiramente Vossa. Vossa sua natureza sem
par, Vossas as suas riquezas, Vossos os campos e as montanhas, os vales e os
rios. Vossa a sociedade, Vossos os lares e seus habitantes, com seus corações e
tudo o que eles têm e possuem; Vosso, enfim, é todo o Brasil... Por Vossa
intercessão, temos recebido todos os bens das mãos de Deus e todos os bens
esperamos ainda e sempre, por Vossa intercessão..."
Demonstra essa fórmula, ainda outra vez, a abismal distância entre o Evangelho
e o catolicismo...
Durante os anos do meu curso primário, sempre assisti e participei de
comemorações de nossas datas nacionais, em cujos programas sempre se acentuou a
Aparecida. Para mim, ser devoto da Senhora Aparecida era condição indispensável
para ser bom brasileiro.
Concluído o curso ginasial, fui para Campinas (Estado de São Paulo) estudar no
Seminário Diocesano "Nossa Senhora Aparecida", onde não se ouvia um
sermão sem que ela fosse mencionada. A jaculatória: "Nossa
Senhora Aparecida, rogai por nós", repetia-se ao final de
cada dezena do rosário desfiado na enfadonha repetição da "Ave Maria"
defronte do altar-mor da capela encimado com a sua imagem.
Aconteceu em setembro de 1942 o IV Congresso Eucarístico Nacional, em São
Paulo. A Senhora Aparecida foi intitulada "peregrina do Congresso".
Programou-se o comparecimento da VERDADEIRA IMAGEM. Então, certa noite, o
diretor do Seminário foi à capela pedir rezas para que ela ficasse em São Paulo
também durante os dias do Congresso.
E, depois de haver eu ouvido pela centésima vez o relato de sua aparição, o
padre, naquela oportunidade, com o intuito de elucidar os seus receios,
destacou este pormenor: – Depois de aparecida, os pescadores levaram a imagem
para a casa de um deles, Felipe Pedroso, onde ficou alguns anos. Numa manhã, a
família espantada deu pela falta da "santa". Ansiosos, todos foram
procurá-la. Encontraram-na, depois de tanta angústia, no alto da colina.
Levaram-na, de novo, para o seu altarzinho antigo, na casa do pescador. Poucas
noites seguintes, repetiu-se o incidente. Desconfiaram os devotos que a Senhora
queria ficar numa igreja construída no alto do morro.
Vieram as contribuições, a capelinha foi edificada e a imagem entronizada em
seu altar, donde saíra uma única vez, em maio de 1931, quando fora levada ao
Rio de Janeiro para ser coroada rainha e padroeira do Brasil.
A história de imagens fujonas, por carência de imaginação da parte do clero, se
repete, como no caso da Penha, no Estado do Espírito Santo e no Rio de Janeiro,
e no Rocio, no Paraná.
Pobreza idêntica ocorre na aparição de tantas "Senhoras" a envolver,
num fastidioso plágio, crianças subnutridas e anormais, como em Lourdes, Salete
e Fátima.
Receava-se agora, esclarecido pelo padre, que "Nossa Senhora",
durante a noite voasse de São Paulo para a sua basílica em Aparecida do Norte.
Pedia-nos rezas e mortificações para que a "santa peregrina" se
dignasse permanecer na Capital Paulista durante os dias do Congresso
Eucarístico.
Fervoroso devoto, rezei muitos rosários e fiz muitos "sacrifícios"
nessa intenção.
A recepção da imagem aparecida constituiu-se numa das mais pomposas
festividades daquele congresso, cuja imponência se constata pelo milhão de
pessoas a acompanhar a procissão do seu encerramento, quando a população de São
Paulo ainda se encontrava aquém daquela quantidade de gente.
Conduzia-se processionalmente a estátua da "peregrina" todas as
noites, da catedral da Praça da Sé, onde fora entronizada, para o Vale do
Anhangabau, com o fim de presidir as sessões solenes. Essas procissões, sem
terem sido incorporadas no programa oficial das comemorações eucarísticas, se
transformaram em alvoroçadas apoteoses.
Retornava a imagem, em seguida, para receber as homenagens das multidões a se
revezarem dia e noite. O povo devoto permanecia ali aos pés da "santa
peregrina" no desígnio de venerá-la condignamente porque – supunha-se –
satisfeita permaneceria em São Paulo até ao fim das solenidades.
A imagem ficou. Foi exaltada em extremo. O Congresso programado para ser
eucarístico, acabou sendo "aparecídico". Dom José Gaspar de Afonseca
e Silva, cognominado "o arcebispo de Nossa Senhora Aparecida", a
confirmar o mérito desta alcunha, erigiu, na Várzea do Ipiranga, uma nova
paróquia dedicada a essa senhora.
Mas, qual não foi o nosso desapontamento ao sabermos o engodo: a verdadeira
imagem não viera a São Paulo! Receberamos apenas um fac-símile! Encerradas as
festividades do Congresso, fora entregue à recém-instalada paróquia! Alguns
seminaristas se revoltaram e se julgaram vítimas de um ludíbrio.
– Rezamos tanto diante daquela imagem, supondo-a A VERDADEIRA...
Conformei-me por estar convicto de que o povo não merecia sua
"augusta" presença... E porque "as autoriades eclesiásticas
agiram com prudência"...
Afinal, todas essas circunstâncias suscitaram em minha alma um afeto entranhado
à padroeira do Brasil...
2. FUI
UM PADRE DEVOTO DA SENHORA APARECIDA
Ao ordenar-me padre, em 1949, senti-me no dever de ir à sua basílica cantar uma
missa, por sinal a segunda porque cantara a primeira em minha terra natal.
Nesse ensejo, adquiri uma sua imagem, fac-símile, benta pelo padre superior do
convento, destinada por mim a me servir de companhia e penhor constante das
bênçãos celestiais em favor do meu sacerdócio.
Entranhadamente devoto da Senhora Aparecida, oferecia, como presente, uma sua
imagem fac-símile, a todas as noivas por mim abençoadas no casamento.
Completados dez anos de sacerdócio, recebi, como uma verdedeira promoção, minha
transferência para Guaratinguetá, a cidade mais próxima de Aparecida.
Localizada à margem direita do Rio Paraíba, no Estado de São Paulo,
Guaratinguetá, dista, pela Via Dutra, aproximadamente, 220 km do Rio de
Janeiro, 185 de São Paulo e 8 de Aparecida.
Fui nomeado pároco da novel paróquia de "Nossa Senhora da Glória", no
Bairro do Pedregulho. Sua igreja, que de tão pequena, o povo a cognominara de
"igrejinha", não oferecia condições para, realmente, ser uma matriz
paroquial. DEcidi, por isso, construir um vasto templo. Constituia-se-me imensa
prerrogativa edificar essa obra consagrada à Virgem Maria, e sonhava com um
templo majestoso erguido naquele outeiro do Pedregulho a olhar a "Basílica
Nacional da Padroeira", plantada na colina de Aparecida. Lá do alto da
torre da minha matriz, fiquei muitas vezes a contemplar a "Basílica da
Rainha do Brasil"...
Eu odiava os evangélicos, aos quais chamava de hereges por combaterem
"Nossa Senhora".
Nesse tempo, apareceu lá em Guaratinguetá, um pastor. No seu desejo de
esclarecer o povo, contratou, numa das emissoras radiofônicas locais, um
horário para um programa evangélico.
Muitos católicos se descontentaram com as suas explicações.
Um meu colega, o clérigo Oswaldo Bindão, no seu programa de rádio, decidiu
responder ao pastor.
Estabelecida a polêmica, a cidade inteira se transformou em estádio para
assistir a contenda.
O coitado do padre pediu água em menos de uma semana.
Evidentemente, qualquer jovem das nossas Escolas Bíblicas Dominicais, com a
Bíblia na mão, põe qualquer padre a correr.
Nós, os padres em Guaratinguetá, estávamos acuados, arrazados, com o fracasso
do colega! E na certeza absoluta de que, se qualquer um de nós fosse responder
ao pastor, cairíamos no mesmo ridículo.
O Pastor João de Deus Soares prosseguia dando os seus esclarecimentos. Nessas
alturas, o assunto girava em torno de Maria, de cuja face o pregador retirava
toda a caiação ignóbil que à Mãe de Jesus impôs o catolicismo ao longo dos
tempos.
Naquela oportunidade, encerrara eu, com uma retumbante procissão, as
festividades da padroeira da minha paróquia. O Pastor Evangélico botou água na
fervura do meu entusiasmo, criticando o meu desfile mariano e citando Isaías
(45:20).
Transtornei-me de cólera!
Noutro dia, o Pastor resolveu apresentar aos seus radiouvintes os pontos
coincidentes entre a Diana dos efésios e a Aparecida dos brasileiros, à luz do
relato de Atos dos Apóstolos 19:23-41.
Nós não tínhamos força de argumento. E o jeito foi apelar para o argumento da
força! E se demorássemos, perderíamos muitos dos nossos melhores fiéis...
A mentira, a calúnia, o achincalhe são os melhores argumentos para os covardes
sem argumento.
Incumbiram-me de resolver o problema.
Apelei para a violência, comandando um batalhão de fanáticos. E, em menos de
uma hora, num domingo à noite, foi destruído inteiramente, o templo do Pastor
João de Deus Soares, lotado de pessoas participantes do culto.
A Senhora Aparecida deve-me também este favor!
No dia imediato, no programa "Marreta na Bigorna", da Rádio
Aparecida, o clérigo Galvão, desatou uma gargalhada satânica e parabenizou os
católicos de Guaratinguetá pela façanha...
O arcebispo de São Paulo, congratulou-se vivamente comigo e, horas após o nosso
encontro, declarou, por um grande jornal de São Paulo, que lamentava os fatos
ocorridos em Guaratinguetá!
O clero católico é a hierarquia dos homens de duas caras!!! Dos refolhados!!!
Estreitíssimas mais ainda se tornaram minhas relações com os padres
responsáveis pela basílica de Aparecida, em cujo convento se fabricava,
exclusivamente para o consumo interno, cerveja mui apreciada entre os reverendos.
No trato com os clérigos seculares, constatei a falta de amor fraterno entre
eles. Supunha, todavia, que houvesse entre os regulares ou conventuais, como os
franciscanos, jesuítas, dominicanos, salesianos, redentoristas. Engano!
Entre estes últimos, que são os responsáveis pela basílica e de quem mais me
aproximei, acontece a mesma carência, senão pior.
Lá dentro do seu convento, ao lado da "rainha" do Brasil, os padres
se estracinham com ódio extremado. Os apelidos são os mais humilhantes. Havia
lá o "padre Tortinho", o "padre Marreta", o "padre
Aventura", o "padre Zoraide", o "Madame Fifi"... E de
cada um havia um motivo especial indicado pelo próprio vocábulo...
3. NEM
A GANÂNCIA, META PRIMORDIAL DOS CLÉRIGOS "APARECÍDICOS"
ME ABRIU OS OLHOS...
Sentia, outrossim, a frieza espiritual naquele ambiente de clérigos,
profissionais da religião. Sempre os vi tratando das coisas de sua seita com
ganância sórdida. Só lhes interessava o que dá lucro.
A respeito de qualquer assunto, a pergunta é sempre esta: – Quanto rende? –
acompanhada do sinal característico de se friccionarem as pontas dos dedos
polegar e indicador.
E fazem praça disso até na sua emissora. Certa feita, chegou uma carta,
perguntando sobres as riquezas da Senhora Aparecida. Respondeu-a Victor Coelho
de Almeida, no seu programa radiofônico: – "Sim,
'Nossa Senhora' é muito rica. Rica mesmo! Ela tem hotéis, restaurantes, bares,
casas de aluguel – muitas casas de aluguel! – kombis, peruas, automóveis.
Ela tem muito dinheiro... Dimheiro que os seus fiéis mandam e trazem...
Ela tem muitas jóias, anéis, braceletes, colares. Ela tem muito ouro e pedras
preciosas. Até a princesa Isabel lhe deu preciosas jóias. Quem tem ouro e
pedras preciosas, mande para 'Nossa Senhora'... "
A cupidez é tamanha que as suas lojas não repeitam sequer o Domingo. Se se
cerrarem as suas portas deixarão de ganhar no dia de maior afluência de
peregrinos.
O devoto chega para cumprir uma promessa. Compra uma vela na loja pertencente
aos padres e, a propósito situada ao lado da basílica e anexa à porta de
entrada da emissora. Ao entrar no templo, porém, depara-se com a proibição
terminante de acender velas. Apresenta-se-lhe, outrossim, a solução: – deixar o
brandão numa caixa adrede colocada ao lado do altar da "padroeira". O
"pagador de promessa" sai na doce ilusão de que o padre vai, em sala
adequada, queimar a sua vela em honra da santa. Engana-se porque um dos
sacristães recolhe todas as lá depositadas, levando-as novamente para a loja. E
a vela do devoto caiu no círculo rendoso dos clérigos. Sai da loja. Vai para a
caixa da basílica. Volta à loja. De novo na basílica..., E o dinheiro cresce na
"caixa registradora".
Tudo lá é comercializado! E os redentoristas não admitem concorrência, nem por
parte dos seus colegas de outras igrejas. Num fim de ano, um sacerdote do Rio
de Janeiro, com o objetivo de angariar fundos para a construção de um templo,
instalou, num terreno alugado, um presépio mecanizado e movido a eletricidade,
cobrando dos interessados o ingresso ao local. Pois, os padres da basílica
protestaram e obrigaram o coitado a "arrumar a trouxa e dar o fora".
Todo o mundo só pode ver o prsépio deles para lhes deixar o dinheiro. Em Aparecida,
arrecadação de esmolas é direito reservado... De todas as partes afluem
contribuições para os seus cofres. Mas, ninguém pode ir lá colher uma
migalha...
A ganância atinge os paroxismos da usura!
Fui convidado para celebrar um casamento de pessoas amigas e muito ricas. Por
ser sábado à tarde, havia muitos outros. Os noivos, meus amigos, pagaram todas
as elevadas propinas estabelecidas pela direção do santuário aparecidiano. À
medida em que os noivos adentravam no templo, ao som da "marcha nupcial",
um servente da basílica enrolava o grosso tapete de veludo grená. É que logo
atrás, entrava uma par de nubentes pobres. Não lhes permitiram as posses, pagar
a taxa referente ao tapete e tiveram de passar "sob os olhares maternais
da incomparável protetora dos brasileiros", por essa humilhação. O pior
ainda aconteceu depois! Chegados junto aos degraus do altar da Senhora
Padroeira, foram embargados seus passos pele referido servente, que os
encaminhou a um altar lateral. A noiva, desconsolada, explicou ao sacerdote
celebrante de suas núpcias, que viera do Paraná precisamente para casar-se no
altar da "rainha" em cumprimento de uma promessa. Inúteis seus rogos
e vãs as suas lágrimas... O padre irritado alegou que essa promessa não tinha
valor algum e "mastigou", em cinco minutos, a fórmula do ritual.
Tudo isso me indignava. Mas, tudo isso consolidava ainda mais mionha devoção à
Senhora Aparecida. Compadecia-me dela por vê-la cercada desse deboche e
explorada por essa chusma de crápulas.
Um bispo do interior paulista tem carradas de razões ao afirmar que a Aparecida
é a vergonha do catolicismo no Brasil!
O Concílio Ecumênico Vaticano II, falido desde seu início, foi incapaz de
modificar essa situação sempre interessante para o clero cúpido, em cujo peito,
ao invés de coração, encontra-se instalado um cofre.
O Ministro Mário Andreazza, dos Transportes, a convite, visitou Aparecida, em
13 de julho de 1969. Cercaram-no de salamaleques os clérigos chefiados pelo
arcebispo aparecidólatra, o cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, com a
sua ladainha de reivindicações em favor da construção da nova basílica e de
outras obras católicas. Surpreendido o cardeal e seus sabujos, incontido e sem
subterfúgios, o Ministro demonstrou a sua desaprovação à permanência, ao redor
da basílica, das "caixinhas" (pequenas bancas onde são vendidos
santinhos, imagens e outros apetrechos aparecídicos).
Quase todos os dias freqüentava eu a basílica, onde permanecia muito tempo
rezando, de joelhos, o rosário diante da imagem.
Desde a tenra infância, ansiei por certeza de minha salvação eterna. Procurei-a
em inúmeras devoções a mim sugeridas ou aconselhadas. Busquei-a no exercício do
ministério sacerdotal católico. Macerei-me, chicoteei-me, jejuei... Vali-me da
prática da caridade, criando e dirigindo obras sociais.
Tudo em
vão...
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No llivro "ESTE PADRE ESCAPOU DAS GARRAS DO PAPA",
a biografia do Padre Aníbal, relato dos dolorosos lances de seu longo e
dilacerante drama interior. |
Tomei-me de esperanças quando cheguei em Guaratinguetá. Imensa era minha
expectativa de encontrar na Senhora Aparecida a bênção da certeza da vida
eterna.
Por isso, ia amiúde à sua igreja rezar longos rosários defronte da sua imagem,
no aguardo de uma resposta celestial...
4.
A SURPREENDENTE REVELAÇÃO
Numa tarde de quarta-feira, no começo do ano de 1961, em seguida às funções
rituais da "novena perpétua", a que eu assistira, um sacerdote – com
um "psiu" – tirou-me do meu recolhimento devoto.
Aproximei-me dele.
Perguntou-me à queima-roupa:
– O que você vem fazer aqui quase todos os dias?
– Rezar à "Nossa Senhora Aparecida", respondi-lhe.
E, ante o sorriso gracejador do padre, esclareci:
– Sou muito devoto de "Nossa Rainha" e espero dela todas as graças
necessárias para a minha salvação eterna...
Não pude mais falar porque o padre me interceptou com vivacidade:
– Você parece um beato vulgar. Que lhe poderá dar essa estátua de barro? Ela
não tem valor algum. Nós gostamos dela porque nos traz muito dinheiro.
E, levando as duas mãos aos bolsos, fez o gesto significativo de quem carreia
vultuosas somas.
Pávido, arrisquei a pergunta:
– Mas... E os padres não creem em "Nossa Senhora Aparecida"?
Um retumbante NÃO! abafou as últimas sílabas da minha interrogação.
– Ela não vale nada. Tanto assim que se cair do altar ela se quebra. É de
barro!!!
Saí da basílica atordoado.
Passei a noite seguinte em claro, rememorando fatos e tirando conclusões.
Aterrorizado, sentia esboroarem-se as restantes ilusões da minha vida
religiosa.
Encorajado pelo propósito de servir a Deus desvencilhado de todos os embustes,
decidi levar até às conseqüências extremas a minha investigação sobre o
assunto.
Não me foi muito difícil. Aproveitei a fraqueza daquele sacerdote e, noutro
dia, abordei-o novamente.
Relatou-me ele os verdadeiros fatos relacionados com a imagem da Senhora
Aparecida. Relato esse confirmado ulteriormente por outros sacerdotes, seus
confrades conventuais.
Compadeço-me do brasileiro...
Povo de excepcionais qualidades. Inteligente e dotado de sentimentos
primorosos. Capaz de heroismos e tão paciente...
Haverá, porventura, povo mais paciente que o brasileiro? Quanta esperança ele
vem revelando em tanto sofrimento... Em tanta exploração a qu é submetido.
Muitas vezes ludibriado em sua boa fé. Porém, sempre confiante.
É um crime de lesa-humanidade explorar-se esse povo. Por isso, estou revelando
estas informações. Desejo ardentemente cooperar com esse povo excepcional, em
sua libertação dos embusteiros. Eu sei perfeitamente que recrudescerão as
perseguições movidas pelo clero contra mim. Mas, vale a pena sofrer pela
emancipação espiritual do Brasil.
Ao preparar a nova edição deste livro, recordo-me das muitas almas,
anteriormente devotas sinceras da "padroeira do Brasil", pela
instrumentalidade destas páginas, libertas da aparecidolatria e convertidas a
Jesus Cristo.
Lembro-me, por exemplo, de Dona Glorinha, residente no Interior Capixaba.
Devotíssima da "incomparável Senhora", em romaria, visitava a imagem
pelo menos uma vez cada ano. Pessoa amiga oferecera-lhe um exemplar deste
livro. A curiosidade sobrepujara o seu propósito de recusar a sua leitura, pois
temia ofender a sua Senhora Aparecida. Guardá-lo-ia por alguns dias e o
devolveria ao propriet;ario, um crente fiel e ansioso por esclarecer os iludidos.
Sua curiosidade, porém, superou a força do seu propósito.
Lendo-o, revoltou-se contra o escritor, atirando-lhe, apesar de distante,
insultos pesadíssimos.
Quis buscar alívio para os seus remorsos por ter feito semelhante leitura. E
foi à Aparecida confessar o seu grande pecado (???).
O sacerdote confessor recriminou-a asperamente por hater lido o livro do
"padre excomungado". E impôs-lhe, como penitência, a reza de longas
devoções diante do altar da "santa".
Concluída a penitência imposta, saiu à compra de "lembranças"
destinadas a parentes, comadres e companheiras de irmandade do sagrado coração.
Separara já medalhas, xícaras, copos, canecos, pratos, quadros... Tudo com
dísticos ou decalques da "senhora".
Chegava ao fim a sua tarefa de selecionar as "lembranças", quando os
seus olhos se esbugalharam numa coisa horrorosa. Esbugalharam-se num pinico a
exibir, colada no seu fundo, a estampa da "incomparável Aparecida".
Indignada, deixou todas as bugigangas sobre o balcão e o comerciante falando
sozinho.
Regressou à casa. Releu o livro. Procurou o seu proprietário. Ouviu-lhe as
explicações pormenorizadas sobre o plano de salvação do pecador.
Rendeu-se. Renunciou a idolatria. Arrependeu-se. Converteu-se. Aceitou pela fé
Jesus Cristo como o seu ÚNICO e TODO-SUFICIENTE SALVADOR.
Crente consagrada, hoje conta a sua experiência de conversão no intuito de
levar a Verdade do Evangelho a tantos pobres escravos da aparecidolatria.
Brasileiros, a Senhora Aparecida é uma falcatrua! É um conto do vigário!!!
Você que se supõe seu devoto, está sendo enganado!
Você que tem em casa a sua imagem e lhe acende velas, está sendo ludibriado!
Você que lhe manda esmolas, está sendo esbulhado!
Você que vai, em romarias, à sua basílica, está sendo ridicularizado!
Sim, senhores! Eu vi os padres zombar e pilheriar dos romeiros... Vi-os a
praguejar os devotos romeiros que colocam no "sagrado cofre" notas
velhas e rotas a lhes exigirem consumo de adesivos...
A um deles um devoto perguntou: – Seu vigário, por que a Senhora Aparecida é
morena?
Eis a resposta: – Porque ela é de barro!!!
Pobre povo que confia numa protetora feita de barro...
A
VERDADEIRA HISTÓRIA DA SENHORA APARECIDA
Vou relatar os fatos verídicos referentes à imagem dessa
Senhora.
Localiza-se o início de sua história no período da Colonização
Brasileira.
Corriam muitas lendas sobre descobertas de jazidas riquíssimas de ouro e
outras preciosidades. O contágio do entusiasmo atingia as vascas do fascínio. O
povo paulista, sobretudo, ardia numa febre desvairada provocada pelas lendas
das esmeraldas, as valiosíssimas pedras verdes, cujas montanhas se encravavam
quais seios úberes em plena selva.
Este sonho acutilante é que produziu as maiores epopéias das
nossas Bandeiras, uma das mais empolgantes páginas da História-Pátria. Se não
descobriram as montanhas verdes das esmeraldas, os bandeirantes plantaram
cidades e dilataram o território nacional apertado até então na faixa
estabelecida pelo Tratado de Tordesilhas, imposto pelo papa Alexandre VI aos
descobridores espanhóis e portugueses.
Sim! Essas Entradas é que desbravaram o sertão, devassando e conquistando, com
sua audácia o imenso território do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de
Mato Grosso, do Paraná, de Goiás e de grande parte de Minas Gerais. Porque a
"bota de sete léguas" dos bandeirantes chutou os limites de
Tordesilhas...
A miragem das montanhas de pedras verdes ardeu, por várias décadas, na
mente de muitos brasileiros do Planalto de Piratininga. fulgurou, sobretudo, no
espírito do indômito Fernão Dias Paes Leme, o bandeirante por antonomásia, cuja
morte, em plena selva, transferiu para Sebastião Raposo Tavares o fascínio de
desvendar o segredo daquela descoberta alucinante.
O fim desastrado da jornada de Raposo Tavares, em 1713, entanto, assinalou o
último sonho das esmeraldas, que deixou, em São Paulo, qual cicatriz, um
profunso sentimento de frustração.
É de se notar que, à excessão de uma ou outra, todas as
Bandeiras, iniciaram sua jornada, saindo do Planalto Piratiningano pelo Rio
Paraíba, em cujo Vale deixavam, como rastro, uma enorme expectativa na alma do
povo.
Se as esmeraldas, porém, foram uma quimera não transubstanciada em realidade,
diferente resultado ocorreu com o ouro, explorado em Minas Gerais, o causador
do incêndio de irresistível cobiça, origem de muitos crimes e inomináveis
traições.
Naquela época em que o Brasil era Colônia de Portugal, não se dividia ele em
Províncias ou Estados como hoje. Repartia-se em Capitanias, dirigida cada qual
por um governador nomeado por El Rei português e vindo diretamente de Além-Mar.
O Governador Dom Braz Baltazar da Silveira não conseguiu mais por cobro às
desordens reinantes na Capitania de São Paulo e Minas Gerais, de sua
jurisdição, nem reprimir o contrabando do ouro e, muito menos, coletar os
impostos estabelecidos pela Coroa Real.
El Rei Dom João V hove por bem, nessa conjuntura, chamar o inábil Governador e
substituí-lo. E, em junho de 1717, oCapitão Geral, Dom Pedro de Almeida, Conde
de Assumar, aportou no rio de Janeiro, donde, via Santos, se encaminhou,
incontinenti, para São Paulo, aos 4 de setembro de 1717.
Num ambiente tranqüilo e, ainda, oprimido pelas frustrações da Bandeira de
Raposo Tavares, o novo Governador, aos 4 de setembro de 1717, foi empossado no
seu cargo.
Ao contrário de Piratininga, nas Minas Gerais, o clima era de exaltação
incendiada pela ganância de ouro, cuja mineração provocava os mais pacatos.
Competia ao Governador recém-empossado restabelecer a justiça, recolher os
tributos e exigir o retorno da ordem.
O Conde de Assumar toparia com uma barreira formidável a lhe embargar a
consumação dos seus propósitos.
É que os frades eram "dos elementos mais perniciosos entre os que tinham
entrado e continuavam a entrar com as avalanches, que enchiam aqueles
distritos, e não só porque se entregavam desenfreadamente ao ganho como todo
aquele mundo, mas ainda porque, valendo-se do seu ascendente sobre o espírito
da massa, eram quase sempre os promotores de todas as desordens".
Desgraçadamente os compêndios de História do Brasil adotados por nossas
escolas aureolam os padres e os frades do tempo da nossa Colonização com as
glórias de heróis. Os seus autores sabem que, se disserem a verdade, os seus
livros não terão guarida nos ginásios, em grande parte, dirigidos, maquiavelicamente,
por padres e freiras, ou deles recebem "orientação".
Aquelas nossas informações, acima entre-aspeadas, são de Rocha Pombo,
registradas em sua História do Brasil (Rio de Janeiro - 1905, vol 6, página
245) cuja PRIMEIRA EDIÇÃO deveria ser lida por todo intelectual patrício.
Destaco em caixa alta a PRIMEIRA EDIÇÃO porque as subseqüentes foram
criminosamente resumidas e mutiladas. Destas podaram-se todos os
informes sobre os latrocínios, extorsões, atrocidades e crimes cometidos pelos
clérigos missionários.
A maioria dos brasileiros supõe que naqueles tempos, Portugal açambarcava todo
o ouro bateado pelos lavageiros ou garimpado nos veios das rochas. Supõe-se,
também, que, em tempos posteriores, a Inglaterra usurpou-o das bruacas
lusitanas. Verdade é que o Reino estabelecia impostos, arrecadados pela
quintagem, com o fim de beneficiar o seu erário.
Os frades, contudo, não vieram para o Brasil com a missão de catequizar. O
Historiador Rocha Pombo, no passo já referido, informa-nos que o Conde de
Assumar, dentre as questões a enfrentar, tinha de se haver com a da
"expulsão de todos os religiosos regulares que não tivessem naquela
Província do seu domínio uma função certa, própria do seu apostolado".
Tinham esses "religiosos" (frades cognominados pela legislação
romanista de "religiosos regulares") outra incumbência bem diversa da
apregoada e que causou graves prejuízos ao Brasil. Vieram carrear ouro para o
papa e para os seus conventos na Europa!
O ouro do Brasil, em grande parte, encontra-se ainda hoje em poder do Vaticano,
que o faz ocupar o segundo lugar mundial no mercado desse valor precioso, cujas
reservas o papa deposita no Federal Reserve Bank, em Washington. O papado não
ocupa o primeiro lugar no mundo nesse mercado porque preferiu trocar uma parte
do seu ouro com outros valores, como dólares, que atingem a cifra astronômica
de 15 bilhões, e em títulos de sociedades italianas avaliados em 1 trilhão de
liras e de sociedades de outros países cotados em 2 bilhões de libras
esterlinas. E essa riqueza fabulosa e atual do Vaticano o faz o maior acionário
de todo o mundo!
|
No livro "PODER-SE Á CONFIAR NOS PADRES? " TAMBÉM
DA AUTORIA DO DR. ANÍBAL PEREIRA DOS REIS, É DEMONSTRADA A INCOMPETÊNCIA
INTELECTUAL E MORAL DO CLERO ROMANO QUANDO SE PÕE A DITAR NORMAS NO SENTIDO
DAS REFORMAS DAS NOSSAS ESTRUTURAS SÓCIO-ECONÔMICAS. EM SEU ÚLTIMO CAPÍTULO,
INTITULADO "O SUPERCAPITALISMO ECLESIÁSTICO É AMEAÇADO PELA
INSTABILIDADE POLÍTICO-SOCIAL DA ITÁLIA", É PATENTEADO O HORROR DOS
SEUS MÉTODOS DE VAMPIRO PANTAGRUELICAMENTE GANANCIOSO E SÃO RELACIONADAS
ALGUMAS DE SUAS FABULOSAS E ATUAIS FONTES DE RIQUEZA.
Enquanto os brasileiros lutam desesperadamente para escaparem dessa situação
de sub-desenvolvimento, estrangulante de nossas energias, o Ali-Babá do
Vaticano se enriquece cada vez mais à custa dos investimentos do ouro e de
outras riquezas levadas do Brasil pelos seus clérigos. |
Convencido da gravidade da situação em Minas Gerais e da sua responsabilidade
em recobrar a ordem, o Conde de Assumar decidiu interferir pessoalmente.
Deixando como seu substituto em São Paulo, o oficial de grande patente, Manuel
Bueno da Fonseca, partiu, em fins do mesmo mês de sua posse (setembro de 1717),
com destino a Ribeirão do Carmo (hoje Mariana), em Minas Gerais.
Naqueles remotos tempos essa viagem só podia ser feita via Vale do Paraíba
(Norte do Estado de São Paulo).
Guaratinguetá é uma das cidades desse Vale. Foi fundada à margem direita do Rio
Paraíba, em 1641, pelo Capitão-Mór Dionísio da Costa, lugar-tenente do
donatário e, por isso, gozava de grande prestígio até os fins do regime das
Capitanias.
O conde de Assumar chegou, com sua comitiva, nessa cidade, aos 12 de outubro.
Prontamente, as autoridades locais, solícitas em aguardá-lo, promoveram-lhe
toda sorte de homenagens e respeitos.
Por ser o catolicismo a religião oficial do Reino, o vigário destacava-se nas
cidades como a autoridade mais importante. O "batizado" pelo padre
católico equivalia ao registro civil. O casamento era só no religioso. Quem não
era católico, como um criminoso de lesa-pátria, não podia casar-se e nem
registrar os filhos...
Esta posição do catolicismo outorgava aos vigários, o ensejo de serem ótimos
arrecadadores de riquezas para o pontífice de Roma.
Em Guaratinguetá, encontrava-se, como vigário, o jovem padre José Alves Vilela.
Como todo clérigo, conhecia perfeitamente a arte de bajular.
Pelo próprio fato de ser o catolicismo romano a religião oficial do Reino de
Portugal, a nomeação dos bispos dependia inteiramente da indicação feita pelo
Rei.
O padre Vilela sofria de "bispite" aguda. Do desejo desenfreado de
ser bispo!
Percebeu na passagem do Conde de Assumar por sua aróquia, uma extraordinária
oportunidade de, sabujando, credenciar-se às boas graças do Governador, que o
apontaria a El Rei como candidato à mitra.
E mãos à obra! A par das demonstrações cívicas de respeito ao Governador promovidas
pela Câmara, o padre Alves Vilela, como autoridade mais importante do lugar,
programou festas religiosas de grande aparato para impressionar o homenageado.
Desde sempre o clero gostou de se valer de seu ritualismo litúrgico para
engodar as outoridades civis com o objetivo de sugar-lhes subvenções ou
propiciar clima para se manter prestigiado. Num dos nossos Estados, os bispos
condenaram a candidatura de certo cidadão à governança. Feridas as eleições e
vitorioso o candidato anatematizado, os "amantíssimos
ordinários"promoveram-lhe demonstrações de "afeto e deferência",
culminando a sabujice, no dia de sua investidura com uma missa de "ação de
graças" mui solene.
Note-se, a título de informação, que o termo canônico designativo do bispo
diocesano é "ordinário".
Para se colocar bem diante do Conde Governador, preocupado e zangado com os
clérigos baderneiros de Minas Gerais, "promotores de todas as
desordens" (Rocha Pombo – loc.cit.), o padre Vilela tomou atitude oposta
aos seus colegas. Reconheceu na sua subserviência ao chefe da Capitania uma
oportuníssima manobra para conquistar-lhe a simpatia.
Entre o clero há traidores dos padres traidores! Enquanto os frades de Minas
traíam sua posição aparentemente de catequistas, causando baderna, o padre
Vilela manifestava-se servil.
Nas águas turvas da situação de descrédito em que se imergiam os frades, o
padre Vilela quis pescar um peixe gordo. O peixe de uma posição perante o
Governador favorabilíssima às suas preten'ões "bispais".
E, como o peixe se pega pela boca, alvitrou oferecer ao Conde um opíparo
banquete.
Mas, um desses banquetes de assinalar marco na história da culinária!
Notabilizara-se o Rio Paraíba pelas suas águas piscosas. Por isso, os pratos em
peixe distinguiam a cozinha valeparaibana. O banquete oferecido pela comunidade
guaratinguetaense ao ilustre viajante, na programação estabelecida pelo
incensador clérigo Vilela, revelar-se-ia por grande fartura de peixes nas mais
diversas modalidades de temperos.
O jovem e pretencioso vigário divisou no ambiente uma circunstância
especialíssima para ser aproveitada naquele acontecimento. E decidiu
capitalizar a seu favor a frustração do povo do Vale pelos insucessos das últimas
Bandeiras, cujas miragens de esmeraldas se esboroaram.
Decepcionado, todavia, não se descoroçoara o povo. Esperava encontrar alguma
coisa de notável.
Desde o princípio do seu paroquiato travara Vilela conhecimento com os
pescadores de sua freguesia e da região. Deles, e somente deles, é que esperava
a mais decidida colaboração nas suas festividades religiosas porque a pesca,
naqueles tempos, acima mesmo da agricultura incipiente, se estabelecia como a
mais importante fonte de riquezas do Norte da Capitania.
E, dentre os pescadores seus conhecidos, três se distinguiam pela
espontaneidade em auxiliar, pela singeleza da sua fé e, sobretudo, pelo seu
acatamento às solicitações do vigário. Domingos Martins Garcia, João Alves e
Felipe Pedroso, os seus nomes!
Procurou-os, então, o clérigo Vilela, incumbindo-lhes da pesca para o
banquete-homenagem.
Nem estranharam a dedicação e o interesse do seu vigário por aquela pesca.
Supunham-no desejoso realmente de exaltar à vista do Governador as qualidades
da cozinha da Vila, de lhe demonstrar respeito e, certamente, creditar a região
a favores futuros.
Admirados, contudo, receberam no dia do banquete (13 de outibro de 1717), manhã
cedo, as ordens do vigário no sentido de que lançassem suas redes no Porto de
Itaguassú, próximo do Morro dos Coqueiros. Como ativos pescadores, sabiam que
os peixes permanecem mais nas partes calmas do rio e não é possível pesca
alguma junto de um porto, onde há tanta movimentação.
Toda aquela zona dispunha do Rio Paraíba como principal via de comunicações e
transportes. E, dentre os portos, o de Itaguassú se notabilizara por servir
vasta extensão.
Em vista da sua própria profissão, entenderam os pescadores a ineficácia da
ordem estravagante do vigário. Mas, ingênuos, e submissos, obedeceram. Não lhes
convinha desacatar o sacerdote ameaçador e capaz de praguejá-lo e
amaldiçoá-los.
Lançaram a rede na convicção de nada apanhar. Surpresos, porém, retiraram das
águas uma imagenzinha, de 0,30m de altura, talhada em terracota escura, nos
moldes da Madona de Murilo, que o clero se utiliza como símbolo da
"IMACULADA CONCEIÇÃO" de Maria.
Decidiram guardar a imagem aparecida nas águas dentro do embornal e prosseguir
além sua tarefa.
Obtida a quantidade de pescado exigida pelo clérigo anfitrião, foram à sua
residência fazer-lhe a entrega.
E, jubilosos e na sua crença ingênua, mostraram ao padre, misturado na comitiva
do Governador, a imagem aparecida.
Enternecido o vigário pelo sucesso do seu empreendimento, pois, ninguém soubera
e nem desconfiara de sua ida durante a madrugada ao Portao de Itaguassú para
deixar nas águas aquela imagem, despejava suas expressões religiosas e
deslambidas acentuando o "fator milagre" daquela descoberta.
Todo o povo daquela região, presente em Guaratinguetá, para receber o
Governador, Conde de Assumar, ludibriado em sua credulidade, exultou com o
"milagre" sucedido, vinculando-o à santidade do seu vigário e
divulgou a notícia à distância.
– "Arre! Se falharam as aventuras em busca de esmeraldas, o
"milagre" interveio para dar ao povo desiludido uma preciosidade
muito maior!!!", parafusava o padre, que, de propósito, havia colocado a
imagem nas águas do Porto de Itaguassú.
Na intenção de valorizar o enredo do seu estratagema religioso achou melhor
entregar a estátua a um dos pescadores, Felipe Pedroso, residente no sopé do
Morro dos Coqueiros.
Retirando-se o Conde de Assumar no seguimento de sua viagem, os fiéis, em
procissão, acompanharam o felizardo pescador, que, piedosamente, colocou, sob a
emoção dos circunstantes, a imagem aparecida entre os "santos" do seu
tosco oratório.
Inglórios os esforços do vigário Vilela junto ao Governador! Tão assoberbado de
problemas em sua curta estadia no Brasil à testa da Capitania de São Paulo, não
teve sequer a lembrança de sugerir a El Rei o nome do pároco de Guaratinguetá
como candidato a bispo de alguma diocese do Reino.
Não se desesperançou o padre. Decidiu incentivar a devoção da senhora
aparecida, promovendo atos religiosos na casa de Felipe Pedroso. Quem sabe se o
seu nome assim ligado à estátua aparecida "milagrosamente", se
encheria de fama e repercutiria nos ouvidos do supersticiosíssimo El Rei Dom
João V, que ouvia missas sobre missas, distribuia dinheiro a rodo a quantos
santos figuravam no calendário, enchia de ouro os conventos e, enlevado por
violenta paixão à sua amante, a freira Paula, do Convento de Odivelas, alcançou
do papa o título de Rei Fidelíssimo.
As esmolas lançadas, em grande cópia, no oratório da "santa",
permitiram ao vigário sonhador da mitra episcopal, repartir com o devoto Felipe
Pedroso, que pode obter numerário para comprar uma pequena fazenda e construir
casa nova em Ponte Alta, também nas proximidades do Porto de Itaguassú, onde
entronizou, em oratório novo, a imagem de terracota aparecida.
A devoção mais importante e mais concorrida nesse local acontecia aos sábados à
noite.
Sucedeu a Felipe Pedroso, após sua morte, na incumbência religiosa, o seu filho
Atanásio. Um pouco arredio a essas beatices, este herdeiro achou melhor
construir fora da casa uma capelinha para se ver livre das importunações dos
devotos e transferiu à Silvana da Rocha o mister de puxar as rezas e os
cânticos. Primava a rezadeira-mor, Silvana, em dirigir o rosário dos sábados,
incrementando a afluência dos humildes com animados bailes regados a pinga após
a reza, na intenção de alegrar os devotos caboclos desprovidos de outros divertimentos.
Os anos se passaram e o nome do padre Alves Vilela, sem ser sugerido nas
eleições dos bispos!
Em 1742, Dom João V foi acometido de uma paralisia que o imobilizou para
sempre, apesar de suas treze jornadas às Caldas da Rainha (nas proximidades de
Leiria, ainda muitas pessoas por ser uma das mais importantes estações termais
de Portugal), escoltado por um exército de freiras e padres interesseiros.
O vigário de Guaratinguetá, agora já encanecido, porém esperançoso, mantinha-se
a par de todas as notícias vindas de Além Atlântico.
Conhecedor da carolice de El Rei e sua magnanimidade em proveito dos clérigos,
urdiu outra investida com o objetivo de atrair as atenções
"majestáticas" sobre si.
Certo sábado, em 1743, quando os devotos chegaram à capela, surpresos, deram
pela falta da santa aparecida. Atônitos ficaram quando Silvana Rocha
desconhecia também o seu paradeiro, mesmo depois de se informar com Atanásio.
Desesperados, correram falar com o vigário, que se fingiu surpreendido.
Aconselhou-os, porém, a que dessem uma batida nas redondezas e que não se
esquecessem de ir até o alto do Morro dos Coqueiros. Dóceis à orientação do
padre, vasculharam todos os recantos, e, por fim, subiram os rapazes ao Morro,
onde, para alívio geral, encontraram a imagem encostada em uma pedra. Nessa
noite, o rosário foi rezado com mais fervor, os hinos mais vibrantes e o baile
mais animado com cachaça distribuida abundante na algazarra do reencontro da
Senhora Aparecida.
Noutros sábados, o fato misterioso se repetiu sem que os pobres devotos
percebessem a mão do vigário atrás de tudo.
O padre Vilela, ao sentir-se seguro do êxito de seu plano, num sábado, foi até
Ponte Alta puxar ele a reza. Desta feita, ainda outra vez, a busca da imagem
fugidiça precedeu o ato religioso, porque o padre ainda outra vez, retirara-a
às ocultas e levara-a para o cume do Morro. Então, na qualidade de vigário e
ministro de Deus, aconselhou o povo devoto que se construísse no alto do Morro dos
Coqueiros um templo para a "santa".
– "Nossa Senhora, afirmava, quer que se construa uma capela lá no alto do
Morro".
De imediato, foram abundantes os donativos. Todos queriam concorrer a fim de
contentar os desejos da "santa" aparecida no sentido de que lhe
erigissem um templo no cume do Morro dos Coqueiros, conforme havia interpretado
o vigário aquelas fugas constantes.
Em cumprimento de exigências eclesiásticas, o padre José Alves Vilela valeu-se
do Bispado do rio de Janeiro, a cuja jurisdição canônica se submetia para
requerer a devida licença a fim de edificar o templo. Recorde-se que o Bispado
de São Paulo, a cuja jurisdição eclesiástica, posteriormente, pertenceram
Aparecida e Guaratinguetá, somente foi criado em 1745.
Na esperança de divulgar nas altas rodas clericais o valor sobrenatural da sua
"santa" aparecida, o que lhe poderia render prestígio junto a El Rei,
saliento em seu requerimento: "...que pelos
muitos milagres que tem feito a dita Senhora, a todos aqueles moradores,
desejam erigir uma capela com o título da mesma Senhora da Conceição Aparecida,
no distrito da dita freguezia em lugar decente e público por concorrerem muitos
romeiros a visitar a dita Senhora que se acha até agora em lugar pouco
decente..."
A provisão de licença foi passada na chancelaria do bispado do Rio de Janeiro,
em 5 de maio de 1743. E tudo se tornou mui fácil, porquanto, Dona Margarida
Nunes Rangel, proprietária do Morro dos Coqueiros, houve por magnanimidade,
fazer doação de toda a colina.
Afluiram donativos abundantes e, a 26 de julho de 1745, o padre Vilela benzeu o
templo e rezou nele a primeira missa, suspirando para que El Rei, o beato sonso
Dom João V, se lembrasse dele nas escolhas dos bispos.
Já alquebrado pela idade avançada morreu, como simples vigário de
Guaratinguetá, o padre ambicioso, e a Aparecida caiu na vala comum das pequenas
capelas do Interior Brasileiro.
A RAZÃO DO
NOVO SURTO DO "APARECIDISMO"
Em fins do século passado, Aparecida foi tirada de sua insignificância, onde
permanecera por mais de cem anos após a morte do seu criador, o vigário José
Alves Vilela.
Em 8 de dezembro de 1888, o bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato de Carvalho,
benzeu um novo templo construído em substituição do anterio erigido pelo
sacerdote inventor da "santa" e resolveu entregá-lo à administração
de alguma ordem ou congregação religiosa.
A congregação dos padres redentoristas gozava, na época, de grande nomeada nos
círculos romanistas, pois o seu fundador, o italiano Afonso de Liguori, além de
ser canonizado santo, em 1839, havia sido, em 1871, proclamado pelo papa Pio
IX, "doutor da igreja". Dentre as suas diversas obras literárias,
destacam-se a "Teologia Moral" e as "Instruções e Método para os
Confessores", pelo seu conteúdo repleto de normas utilizáveis com grande
resultado no confessionário, o instrumento infernal da escravização das
consciências.
Por causa da "importância" de Liguori, cresceu a influência de sua
ordem religiosa, e também em razão da sua finalidade, que consiste em se
disporem os padres, seus membros, a pregar missões populares. Distinguem-se
estas por uma série de pregações retumbantes e fantasmagóricas com arremates de
procissões imbecilizadoras.
Liguori estabeleceu a sua congregação para a Itália Meridional do seu tempo,
com uma população rural ignorante e de sangue quente. REferindo-se a esses
italianos, o clérigo redentorista Hitz, observa: "gostam das manifestações
fortes... São superficiais, levianos, desmazelados, supersticiosos, e
apegam-se, sobretudo, às práticas exteriores da religião" (Hitz –
"A pregação missionária do Evangelho", Livraria Agir Editora, Rio de
Janeiro, 1962, pág. 181). Foi para conservar esse povo agrilhoado às
superstições romanistas, assim considerado pelos seus líderes religiosos, que
Liguori detterminou, com minúcias, os temas e os esquemas dos sermões das
"santas missões" a serem pregadas por seus padres. No plano do
fundador dos padres redentoristas, os fiéis devem, ao final desse trbalho, ser
encaminhados ao confessionário para que se consume o seu cativeiro espiritual.
As "santas missões" dos redentoristas fundam-se num moralismo
antropocêntrico, infinitamente distante do Evangelho. Aliás, servem bem ao
romanismo, cujo ritual coloca o endeusamento da criatura acima de tudo.
O bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato de Carvalho, julgou os brasileiros
semelhantes aos depreciados italianos meridionais por estarem também, os nossos
patrícios, seus contemporâneos, encharcados das superstições católicas. E
entregou o templo da Senhora Aparecida à direção dos padres redentoristas, em
fins de 1894.
Esses padres, incontinenti, começaram suas incursões fanatizadoras pelo
Interior dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, por
meio das missões populares, quando divulgaram profusamente as lendas referentes
à Senhora Aparecida. O nosso povo, humilde e distante das fontes puras da
Bíblia, aceitou ingenuamente e sem qualquer exame, essa fábula, que, também eu,
em criança, ouvi.
Pelo confessionário, os redentoristas impunham aos fiéis, narcotizados com as
suas mentiras e modelados aos seus caprichos, penitências de rezar fórmulas
especiais à Aparecida e de ir ao seu santuário em romarias.
O povo desprovido de recursos essenciais a uima subsistência condigna e imerso
nas trevas do analfabetismo, é sempre presa fácil dos embusteiros, máxime
quando se apresentam revestidos de roupagens exóticas e com a voz repassada de
acentos ameaçadores.
Os pregoeiros do "aparecidismo" espalharam entre o nosso pobre e
abandonado povo, no intuito de fanatizá-lo e escravizá-lo mais, aquela
deslambida "Oração a Nossa Senhora Aparecida para pedir a Sua
Proteção", que assim começa: "Oh Incomparável Senhora da Conceição
Aparecida, Mãe de Deus, rainha dos anjos, advogada dos pecadores..." Em
seguida a esta relação de tantas heresias, o pobre brasileiro suplica-lhe que o
livre da "peste, fome, guerra, trovões, raios, tempestades e outros perigos
e males que nos possam flagelar".
Aconselhado pelo missionário, o simplório cola o papel dessa reza atrás das
portas de sua casa e se supõe imunizado, protegido e livre de todas as
desgraças.
Quando eu era pároco em Guaratinguetá, num domingo, fui rezar missa numa capela
da zona rural. Desabara durante a noite precedente um horrendo temporal. E a
notícia lúgubre enchia de tristeza todos os moradores da região! Um raio
penetrara numa choça e fulminara todos os seus moradores. Encaminhei-me para lá.
Entrei no casebre. Olhos esgazeados de pavor, encontrei três corpos
esturricados no chão. E atrás das portas toscas a protetora reza da
"incomparável"...
As primeiras "santas missões" populares produziram os frutos
esperados. Já em 1900 começaram as romarias. O novo bispo de São Paulo, Dom
Antonio Cândido de Alvarenga, continuou o interesse de seu antecessor,
Dom Lino, pela Aparecida, pois previa os resultados financeiros com o comércio
da credulidade das massas. Em conseqüência, não só incentivou os vigarios das
paróquias a promoverem romarias, mas, ele pessoalmente organizou uma.
A comercialização e a traficância da devoção à Senhora Aparecida tornaram-se
rendosas, além de todas as estimativas, que o bispo de São Paulo não admitiu se
tornasse ela paróquia da Diocese de Taubaté.
Com efeito, em julho de 1908, o papa Pio X desmembrou da Diocese de São Paulo,
que abrangia todo o território do Estado, as dioceses de Botucatú, Campinas,
São Carlos, Ribeirão Preto e Taubaté. Esta incluía todo o Noprte do Estado de
São Paulo, desde o Município de Jacareí, inclusive, até o limite do Estado
Fluminense, à excessão de Aparecida que, apesar de encravada bem no centro do
bispado de Taubaté, continuava pertencendo à jurisdição eclesiástica do arcebispado
de São Paulo. Ocorreu esta anomalia escandalosa como resultado da ganância do
arcebispo, ávido de se locupletar com as fortunas continuamente depositadas nos
cofres da Senhora Aparecida.
Em 1931, conforme já referimos, vieram sua proclamação e coroação como
padroeira e rainha do Brasil, em execução de uma astúcia política.
Antes, o padroeiro do Brasil era "São" Pedro de Alcântara, que, por
haver sido membro de ilustre e principesca família espanhola durante o domínio
da Espanha sobre o Reino de Portugal, obtivera de Roma esse
"padroado".
Os tempos eram outros e o povo brasileiro não se tornara fã do frade espanhol.
Então, os "ordinários" brasileiros decidiram aposentá-lo e arranjar
do papa um outro padroeiro.
Afora o prestígio popular, o candidato, por certo, precisaria satisfazer
injunções políticas e ter a sua meca localizada onde houvesse maior
concentração demográfica.
A paraense
Senhora de Nazaré, a capixaba Senhora da Penha e o baiano Senhor do Bonfim, se
bem que prestigiados popularmente em suas regiões, careciam satisfazer as
outras condições.
Cumprindo-as todas a Senhora Aparecida foi a eleita.
Mais recentemente, em junho de 1958, o papa Pio XII criou a Arquidiocese de
Aparecida, com o território da paróquia do mesmo nome desmembrado da
Arquidiocese de São Paulo, e de outras paróquias retiradas da Diocese de
Taubaté.
Não obstante, porém, todas as promoções em torno da divulgação dos
"fatos" relacionados com a Aparecida, das demonstrações de fé na
mesma, das romarias, de suas imensas riquezas... Não obstante os padres
afirmarem – da boca prá fora – que crêem na aparição prodigiosa da Senhora
Aparecida... Apesar da oferta da Rosa de Ouro pelo pontífice Paulo VI e sua
aparatosa entrega em agosto de 1967... Apesar de tudo isso, até hoje, o
Vaticano se conservou silencioso a respeito.
Desafio a qualquer padre de Aparecida a que me apresente um documento do
pontífice romano pelo qual haja pronunciado sobre a autenticidade dos
"acontecimentos prodigiosos" pelo clero divulgado entre o povo.
Eles não aceitam o desafio porque nem o papa crê nesse "prodígio".
Bem ao contrário! Ele sabe que tudo é falcatrua. E falcatrua tão mal engendrada
que nem é capaz de forjar documentos, tática tão de sua índole.
Só as pessoas fanaticamente narcotizadas pela idolatria não querem enxergar e
continuam devotas da Aparecida.
A fim de dar aos padres reptados uma dose de calmante, apresento-lhes o parecer
do monge beneditino, Estêvão Bettencourt:
"AS AUTORIDADES ECLESIÁSTICAS NÃO SE EMPENHAM POR DEFINIR A
AUTENTICIDADE DE TAIS PORTENTOS, NEM MESMO A DOS EPISÓDIOS CONCERNENTES À
APARIÇÃO DA SENHORA IMACULADA NO PORTO DE ITAGUASSÚ EM 1717... A SANTA IGREJA,
DE MODO NENHUM, ENTENDE FAZER DE TAIS RELATOS MATÉRIA DE FÉ..."
(in "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" – 71/1963, QUESTÃO 5).
Católico! Não continue enganado!
Use sua cabeça para raciocinar e não vá mais no conto do vigário! O próprio
monge beneditino Estêvão Bettencourt declara que aquilo tudo não é
"matéria de fé". Ele não crê! Nem o papa e nem os padres prestam fé
aos seus relatos sobre a Senhora Aparecida!
A
SANTACAP, "CAPITAL MARIANA" DO PAÍS
Elevada, em 1958, à categoria de Arquidiocese, só em 1964 recebeu o seu
arcebispo na pessoa do cardeal Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, até então
ocupante do sólio paulopolitano.
Motta sempre se revelara interessado em promover Aparecida e, com a habilidade
política peculiar ao seu temperamento, conseguiu da Santa Sé conteporarizasse a
nomeação do seu titular, pois desejava ser ele o investido no munus de
arcebispo da "capital brasileira da fé".
Se envidara esforços para a sua instalação como Arquidiocese, parecer-lhe-ia
justiça instalar-se ele próprio em seu trono arquiepiscopal, embora 6 anos
devessem decorrer como sede vacante.
Idealizara e empenhara-se em transformar Aparecida num dos centros católicos
mais importantes do mundo.
Seria nesse intento insuficiente a devoção popular à Senhora Aparecida. Aliás,
aquela efervescência de fé incrementada pelo IV Congresso Eucarístico de São
Paulo, celebrado em 1942, fora passageiro.
Como arcebispo de São Paulo, a cuja Arquidiocese pertencia a simples paróquia
de Aparecida, Motta notara na segunda metade da década de 40 o decréscimo do
número de peregrinos em proporção com o aumento populacional do País e com a
imensa propaganda intensificada através da distribuição, sobretudo às
paróquias, de imagens fac-símiles.
Insuficiente a devoção popular como fundamento para concretizar o seu sonho de
criar a SANTACAP, à imitação dos grandes e antigos centros idólatras do mundo,
como Éfeso com a sua Senhora Diana, em cuja honra se construira uma das sete
maravilhas do orbe, o cardeal Vasconcelos Motta optou pela construção de um
grande e soberbo templo. Uma basílica gigantesca e de ricas proporções
arquitetônicas a se credenciar ao orgulho do catolicismo brasileiro.
– O maior templo religioso do mundo depois da basílica de São Pedro, em
Roma !!!
A basílica de São Pedro tem 200 metros de comprimento, incluindo-se o pórtico.
A de Aparecida, 170.
E, depois dela, vem a de São Paulo, em Londres, com 158 metros. Esta é seguida
do templo de Liverpool, também na Inglaterra, que mede 154 metros de
comprimento. Seguem-se-lhe o Duomo, em Florença, da Itália, com 150; o de
Colônia, na Alemanha, com 145; o da Imaculada, em Washington, EEUU, com 137; o
Duomo, em Milão, com 135; o templo de Notre Dame, Chartres, na França, com 133;
o de Sevilha, na Espanha, com 129; o de São João de Latrão, em Roma, com 124; o
de São Paulo, no Brasil, com 100; o de S.Patrick, em Nova Iorque, EEUU, com 99;
o de Santa Maria Maior, em Roma, com 98; o de Bauprais, no Canadá, com 80
metros. A nova basílica de Aparecida, quando inteiramente concluída terá 170
metros de comprimento por 150 metros de largura, cobrindo um espaço de 25.500
metros quadrados.
Por sonhar alto, o arcebispo aparecidólatra inclue no plano completo da obra
outros departamentos inclusive o prédio para a emissora radiofônica e de
televisão. Em conseqüência salta à vista a impossibilidade de se construir no
cume do antigo Morro dos Coqueiros, onde se encontra a atual basílica, apodada
da velha.
Recorde-se o fato de haver sido esta eregida no alto daquele morro em atenção
às exigências da própria Senhora Aparecida, inconformada de ficar embaixo e,
poi isso, "fugia" da capelinha, indo postar-se lá em cima. As suas
repetidas "fugas" revelaram (?) aos devotos a sua vontade de lhe ser
dedicada uma capela no cocoruto do outeiro, inaugurada, aliiás, em 1745, sob o
hissopo do vigário José Alves Vilela, ao tempo, pároco em Guaratinguetá.
Esta pequena capela, quando, em fins do século passado, se incrementara a
devoção aparecídica, se tornara exígua, foi pelo bispo de São Paulo, Dom Lino
Deodado de Carvalho, substituída por um templo maior, ainda, no cume do antigo
Morro dos Coqueiros.
Afigurava-se impossível desagradar a "santa" e contrariar-lhe a
mariana vontade de ser instalada lá em cima da colina, cujos coqueiros cederam
lugar ao casario que se comprime em suas rampas.
– Constrói-se o templo noutro lugar... E se depois a imagem aparecida não
quiser ficar nela?, decerto refletia o bispo, que, aos 8 de dezembro de 1888,
benzeu a então nova basílica, hoje reputada velha, por ser anacrônica, obsoleta
e superada.
Ao cardeal Motta, embora se confesse devoto aparecidiano, falecem aqueles
escrúpulos.
– Como se conseguir tamanha construção lá em cima do Morro dos Coqueiros?
Se são necessários 400 mil metros quadrados de área, como derrubar todas as
casas empoleiradas colina acima? Seria acabar com a cidade...
A crer-se nos informes clericais, a imagem "milagrosa" saiu do lugar,
por ela própria escolhido apenas duas únicas e rápidas vezes: quando de sua
coroação no Rio de Janeiro, em maio de 1931, e, em 14 de julho de 1945, quando,
em São Paulo esteve numa manifestação político-católica.
– Tirar-se a imagem de lá de sua querida basílica é arriscar-se ao
desagrado da Senhora.
Era isso que se proclamava anos passados.
Se o arcebispo aparecidopolitano e empreendedor da nova basílica acreditasse no
"milagre" de haver ela própria escolhido o lugar do seu trono no topo
da colina, esta construção seria lá em cima mesmo. Como incorreria em
desobediência à Senhora? Jamais! Nem que fosse para gastar todos os milhões de
cruzeiros depositados pelos fiéis devotos nos cofres aos seus pés instalados,
com o fim de cobrir as desapropriações da cidade inteira.
Mas a AURI SACRA FAMES – a sagrada fome do ouro – fala muito mais
alto do que todos os escrúpulos...
E, como resultado, a edificação da nova e descomunal basílica em outro local,
iniciada em 1952, já se encontra em fase final.
O mais interessante, porém, é que a Senhora mudou de opinião. Assanhou-lhe a
vaidade a grandeza do seu novo templo. Para ele transportada, decidiu
submeter-se à vontade cardinalícia e se acomodou em seu novo altar erigido num
elevado octogonal, a 1,5m de altura com 9 degraus e 10 metros de diâmetro. Ela
gosta mais do bem-bom das novíssimas instalações...
Hoje, para evitar qualquer comentário da oposição ou o raciocínio de algum
devoto mais inteligente, os padres deixaram de mencionar em seus relatos
aparecídicos a antiga "vontade" da Senhora fujona.
Nos planos clericais a nova basílica, pelas suas proporções arquitetônicas e
pela sua suntuosidade, deve se constituir no grande motivo de atração de
romeiros a elevar Aparecida à categoria de principal centro de peregrinação do
mundo, dignificando este País, o mais católico de todos.
Em estilo romântico-moderno, cobre uma área construída de 25.500 metros
quadrados, tendo à sua frente a Praça das Comemorações de 69 mil metros
quadrados com a capacidade de 300 mil pessoas.
No interior do templo se extendem três naves de 22 x 40 metros cada, além das
naves deambulatórias ou de circulação de 7 metros de largura cada uma num
desenvolvimento de 340 metros. As capelas sacramentais, onde se administram os
chamados sacramentos do batismo, da confissão, da confirmação, da eucaristia e
do matrimônio, são de 22 x 38 metros cada.
A torre imponente, levantada na superfície de 20 x 20 metros, atinge a 100
metros de altura, abrangendo 16 andares, com 336 janelas de vidro com caixilhos
e venezianas de alumínio e consumiu um milhão e meio de tijolos. Dois
elevadores com capacidade para 60 pessoas transportam os visitantes. Erguida
fora do templo, a ele se liga por uma galeria de 36 metros de comprimento, 8 de
largura e 11 de altura. Como seria impossível deixar de ser, no interior da
torre os padres instalaram um bar-restaurante e lojas.
Construída a basílica em forma de cruz grega, a sua cúpula, como uma meia
esfera, erguida bem no centro de toda construção, com o diâmetro interno de 34
metros e a altura de 60, cobre 2.327 metros quadrados e é revestida de alumínio
anodizado a lhe fornecer uma cor dourada. Esta cúpula sustenta, num pequeno
mirante, uma cruz grega de 3 metros de altura, sob cujo centro geométrico se
eleva sobre 9 degraus, o altar-mor da basílica, de 10 metros de diâmetro, a
ostentar, em nicho de ouro, a imagem da Senhora Aparecida, a Padroeira do
Brasil, recoberta de jóias e pedrarias preciosas, onde imensa população padece
fome e sofre a carência dos recursos básicos para uma vida digna.
Ao redor deste soberbo altar-mor, em torno da plataforma, se enumeram 12
pequenos altares a permitir a celebração simultânea de 13 missas, o supremo
culto idólatra do catolicismo, em homenagem à aparecidolatria.
Por considerarem antiquado o método, os padres redentoristas responsáveis pela
administração da basílica e pela promoção do aparecidismo, hoje em dia,
deixaram de utilizar tanto as chamadas "santas missões" inculcadas
pelo seu fundador, Afonso de Liguori, nos estatutos da ordem. Prevalecem-se de
meios mecânicos de divulgação, como o jornal e o rádio.
A Rádio Aparecida, pela sua potencialidade, se emparelha com a grandeza
material da nova basílica e se capacita a atender os planos de incrementar
sempre mais a aparecidolatria.
Reservaram-se 12 mil metros quadrados dentro da área dos 400 mil para se erguer
um prédio dividido em 3 pavimentos.
O térreo se reserva para um auditório com a capacidade de alojar 1.500 pessoas,
que terão o seu cinema. No 1º pavimento ficam os escritórios, uma capela e o
salão nobre destinado às reuniões do Clube dos Sócios com cerca de 400 mil
arrolados. O 2º andar se destina à instalação de todo o equipamento da Rádio
Aparecida, que deverá ser a mais potente emissora da América Latina, e da
futura TV, com 6 estúdios: um de gravação de radioteatro, 3 de locução, um de
gravação de peças orquestrais e outro de gravação de discos e fitas – e a
técnica central de comando dos estúdios, além da discoteca, do departamento
técnico e do almoxarifado.
É a técnica da comunicação superlativamente refinada a serviço da massificação
do aparecidismo, porque, dentro dos prognósticos clericais o brasileiro deve
continuar agrilhoado aos seus embustes.
A SANTACAP, com a sua descomunal basílica, pretende reviver a idade áurea da
Senhora Diana, cujo templo se contava entre as sete maravilhas do mundo.
Aliás, em Éfeso, aos 11 de outubro de 431, se deu o início oficial da
mariolatria com a proclamação do dogma de Maria Mãe de Deus.
Nesta era intitulada de pós-conciliar, quando muitos ainda supõem haver o
catolicismo romano se transformado e aberto mão de certas doutrinas contrárias
à Bíblia, inclusive as relativas a Maria, a religião do papa recrudesce e
reaviva o culto mariolátrico acrescentando-lhe novos dogmas, como o de Maria
Mãe da Igreja, que inclue os da Maria Co-redentora, Advogada, Medianeira e
Adjutrix, proclamado aos 21 de novembro de 1964.
Recrudesce e reaviva o culto mariolátrico entre o pobre povo subjugado às suas
feitiçarias, prestigiando os santuários marianos, centros de romarias e
peregrinações.
O próprio papa Paulo VI, em 13 de maio de 1967, viajou até Fátima, em Portugal
com o propósito de oficializar as comemorações cinqüentenárias daquela Senhora.
À Aparecida ofertou o romano pontífice uma Rosa de Ouro, trazida por uma
cardeal a latere, a assinalar a passagem dos seus 250 anos.
Dom Humberto Mozzoni, o núncio papal no Brasil, no dia 5 de julho de 1969, ano
de sua chegada, viajou à SANTACAP no intento de prestar o seu culto pessoal à
Senhora Aparecida. "Vim à cidade de Aparecida, disse ele, para, como todo
o povo brasileiro, venerar Nossa Senhora Aparecida. E colocar sob sua proteção
a minha missão no Brasil"( O Estado de São Paulo, 6 de julho de 1969).
O Cloncílio Ecumênico Vaticano II deixou intactas as estruturas romanistas
sobre as quais simplesmente passou uma caiação a fim de lhe dar novos ares. E
só!
Deixou outrossim intocáveis os cediços métodos de envolvimento político tão do
gosto multissecular do clero. Quando, em 1972, o Brasil celebrou o
sesquicentenário de sua Independência, quis ele vincular-se oficialmente à sua
programação. E, para se promover, nada melhor do que promover a
aparecidolatria. Alegou, então, contra todas as evidências, haver Pedro I
estado em Aparecida com o fim de rezar diante da imagem, na oportunidade em que
pernoitou em Guaratinguetá, quando de sua viagem do Rio de Janeiro a São Paulo,
onde proclamara dias seguintes a Independência de nossa Pátria.
Desprovido de qualquer pejo, reivindicou o clero a passagem por Aparecida do
coração de Dom Pedro I, quando, em 1972, foi de Portugal trazido em definitivo
para o Brasil.
Desprovido de qualquer pejo e sem o receio de ser desmascarado porque o povo
evita o trabalho de raciocinar, pois em 1822 nada existia em Aparecida, além da
pequenina e tosca capela no alto do Morro dos Coqueiros, construida pelo
ganancioso padre Vilela. Aparecida continuava ainda incógnita do beatério.
Aparecida era ainda o Morro dos Coqueiros. E só Morro dos Coqueiros.
As estatísticas dos últimos anos demonstram intensificar-se entre o nosso povo
o culto aparecidolátrico.
Os números abaixo comprovam nossa assertiva:
|
|
ANO 1971 |
ANO 1972 |
|
BATIZADOS |
16.303 |
18.892 |
|
COMUNHÕES |
1.383.053 |
1.628.140 |
A SANTACAP, de cuja promoção em larguíssima escala se incumbe a Rádio
Aparecida, a SANTACAP, centralizada agora na soberba basílica, com o aumento
crescente dos romeiros em cada ano, demonstrado no pequeno quadro estatístico
acima, é o atestado gritante de encontrar o catolicismo romano em polo
diametralmente oposto ao Evangelho, o que o torna absolutamente refratário à
Bíblia, a Palavra de Deus.
Catolicismo é idolatria em todas as suas formas ignóbeis e alienantes de Deus.
O Ecumenismo, pois, é ridícula fanfarronada.
Ridícula fanfarronada com a vil missão de assinalar os apóstatas misturados entre
o povo de Deus.
A ROSA DE
OURO
No dia 15 de agosto de 1967, ano comemorativo do 250.º aniversário do encontro
da imagem de terracota no Porto de Itaguassú, a basílica de Aparecida recebeu
das mãos do cardeal Amleto Giovanni Cicognani, legado "a latere" de
Paulo VI, uma ROSA DE OURO, munificência do sumo pontífice. Esta ocorrência
serviu para assanhar a aparecidolatria. Mobilizaram-se todos os recursos a fim
de assinalar o evento com estrepitosas solenidades.
Esculpida pelo prof. Mário de Marchis, constitue-se numa jóia. Dois grandes
ramos com folhas e botões de ouro se entrelaçam até o vértice onde se
desabrocha a rosa, também de ouro. No lugar do pistilo da rosa engasta-se um
opérculo, uma cápsula, que contém bálsamo do Peru e pó de almíscar,
significando a fragrância da rainha das flores. Entre os dois ramos encontra-se
esculpido o emblema de Pauilo VI, pois ambas, a mariolatria e a papolatria,
andam de parelha. E na base lê-se a seguinte inscrição: "Paulus VI
PM – Apparitiopolitanae aedi sacrae B.M. Virgini Imm. – DD.III
Non. Mar. A + MCMLXVII ".
A outros santuários marianos, como Guadalupe, Fátima e Lourdes, o pontífice
Montini tem, outrossim, contemplado com semelhante presente régio.
Nós, os brasileiros conscientes da espoliação sofrida pela nossa Pátria,
quando, ao tempo de sua Colonização, os clérigos carregaram o nosso ouro e
transformaram Portugal num mero entreposto na execução dos seus planos de
exorção e chantagem carreando essa nossa riqueza para os depósitos do romano
pontíficde; nós, os brasileiros conscientes, sentimo-nos indignados com esse
gesto de Paulo VI, pois desejamos que, em nome da Justiça, ele repare os crimes
praticados contra o Brasil, devolvendo todo o nosso "metal precioso"
guardado nos seus cofres vaticanos.
Dispensaríamos de bom grado o envio da ROSA DE OURO feita com as nossas
próprias riquezas há séculos de nós roubadas.
Se esse presente se constitue num sarcasmo à Nação Brasileira espoliada em seus
bens naturais pelo clero romanista, a ROSA DE OURO expressa sobremodo o
contexto católico-romano de todas a eras.
Com efeito, expressa o catolicismo pós-conciliar, ainda mais alvorotado na
mariolatria, porque ao benzer na Capela Sixtina, aquela jóia, em 5 de março de
1`967, quando a liturgia romana assinalava o IV Domingo da Quaresma, chamado
Dominica Laetare ou Domingo das Rosas, o pontífice declarou na presença de uma
representação brasileira: "No Santuário de Nossa Senhora
Aparecida, ela (a rosa) dará testemunho de nossa constante oração à Virgem
Santíssima para que interceda junto de seu Filho pelo progresso espiritual e
material do Brasil (...) Vamos a Maria para chegar a Jesus. Amando desse modo
Nossa Senhora, poderemos compreendê-la em sua real grandeza e, através dela,
chegaremos ao Cristo, filho de Deus".
Dispensam-se profundos conhecimentos bíblicos
para se constatar à luz do Evangelho os absurdos desse pronunciamento do papa.
Se as palavras pontifícias proferidas na oportunidade da bênção da ROSA DE OURO
demonstram a relutância, a procrastinação, do catolicismo na idolatria, apesar
da farta propaganda de suas reformas levadas a efeito pelo Concílio Ecumênico
Vaticano II; se o envio dessa jóia é um insulto do clero romano ao Brasil,
vilipendiado e espoliado por ele desde os primórdios de sua Colonização, quando
aqui aportaram os primeiros missionários do embuste, a ROSA DE OURO comprova
outra vez ser o catolicismo, embora rotulado com terminologia bíblica, a
continuação e a sustentação do paganismo antigo.
Catolicismo e paganismo se equivalem porque são idênticos. Ou melhor, o
catolicismo é o nome atual do paganismo encarregado de enxovalhar os vocábulos
mais sagrados, inclusive o Nome Sacrossanto de Jesus Cristo.
Onde terá ido buscar o catolicismo a prática de se oferecerem Rosas de Ouro
senão no paganismo antigo?
Efetivamente, na mais longínqua antiguidade o paganismo celebrava a chegada da
primavera e a uberdade da terra com típicas festas populares e cerimônias
religiosas aos seus deuses, destacando-se as procissões quando o povo levava
braçadas de flores e as depositava nos altares dos seus templos.
O catolicismo, ao encampar quase todas as práticas do seu antecessor pagão,
adotou também essas comemorações. Na Idade Média, quando o romanismo usufruiu o
seu apogeu, recebia-se a primavera como a vitória sobre o inverno com
procissões presididas por sacerdotes e bispos, em que os fiéis desfilavam
portando flores colhidas nos campos e jardins, cristalizando-se assim o costume
pagão.
No século X a festa passou a ser celebrada no IV Domingo da Quaresma, Dominica
Laetare, que sempre cai no princípio da primavera da Europa. Este
domingo se apresenta como um parêntesis de alegria no tempo penitencial da
Quaresma, o período precedente à semana chamada santa.
Neste dia, então, o papa em Roma presidia a procissão das rosas – daí o
domingo se cognominar também o Domingo das Rosas – levando uma ROSA DE
OURO com a determinação de oferecê-la a altos dignatários, igrejas ou
instituições religiosas.
Encontra-se uma referência documental do ano de 1049 do fato de haver o papa
Leão IX lembrado "a obbrigação determinada ao mosteiro das religiosas de
Santa Cruz de Tulle (Alsácia), em recompensa de terem sido isentas da
jurisdição do bispo local e sujeitas diretamente ao sumo pontífice, do envio
anual de uma Rosa de Ouro ou de doze onças do precioso metal" – que o
papa destinaria, posteriormente, a eventuais ofertas.
A prática de se oferecer a Rosa de Ouro a santuários, catedrais, igrejas,
dignatários eclesiásticos, príncipes, reis, imperadores, firmou-se como
tradição e multiplicou-se enormemente durante o período de permanência dos
papas em Avinhão (1305 – 1378). Dessa época, quando se compôs a fórmula de
sua bênção especial, expressando os seus simbolismos, até o século XV, a dádiva
consistia apenas em uma rosa que, freqüentemente, tinha também uma pedra
preciosa incrustada.
A partir desse século, especialmente depois do papa Sixto V (1471 – 1484),
acrescentaram-se-lhe ramos, folhas e botões, mantendo-se, com freqüência, as
incrustações de pedras de rara beleza e alto valor.
Têm sido oferecidas rosas valiosíssimas. Sabe-se lá quanto ouro brasileiro,
transubstanciado nessas flores, já anda espalhado mundo afora, enquanto nosso
País se submete a ingentes sacrifícios na ânsia e na busca de melhores
condições, que o libertem do subdesenvolvimento.
Em 1886, Leão XIII, num impulso escandaloso de munificência perdulária,
ofereceu à Rainha Cristina, regente da Espanha, uma Rosa de Ouro composta de 9
flores, 12 botões e 100 folhas – tudo em ouro – sobre um vaso
artisticamente trabalhado.
E sendo a Aparecida um capítulo integrante da estrutura idólatra do
catolicismo, fica-lhe bem uma Rosa de Ouro, reminiscência de antigas práticas
pagãs...
Com a rósea e áurea honorificência, "o papa deseja honrar a riqueza
espiritual do Brasil".
Ofereceu-a ao santuário de Aparecida por se concentrar no culto a Maria toda
essa riqueza.
Sua entrega, a fazer juz ao seu valor intrínseco, ao seu simbolismo e à sua
finalidade, deveria revestir-se de grande pompa.
Começaram estas com a especial dinstinção de ser o portador da preciosa jóia, o
cardeal Amleto Giovanni Cicognani, designado pop Paulo VI o seu legado "a
latere" para vir de Roma ao Brasil investido no munus de, em seu nome,
depositá-la no altar da Senhora de terracota.
O clero mobilizou todo o seu arsenal de recursos no sentido de recepcionar, à
altura de sua dignidade, o cardeal legado. Em sendo outrossim o papa chefe de
um Estado, o Vaticano, cabia ao Governo Brasileiro a tarefa de distinguir o
"nobre" representante com as honrarias atibuídas aos chefes de
Estado.
A sagacidade do clero é inexcedivel... Juntaram-se dois acontecimentos: o
religioso e o político. Entrelaçaram-nos os padres, porque, na conformidade de
seus propósitos, o acontecimento religioso do 250.º aniversário de Aparecida
deveria provocar um acontecimento político a envolver as mais destacadas
autoridades da Nação. Governadores Estaduais, chefes militares, ministros e o
próprio Presidente da República, o Marechal Costa e Silva, lá compareceram no
dia 15 de agosto de 1967.
O pontífice, o soberano do clero, ao enviar a ROSA DE OURO como símbolo
religioso, aproveitou a oportunidade para, como chefe de Estado do Vaticano,
estreitar relações políticas com os políticos brasileiros. Nesse intento, pois,
ofereceu ao Presidente Costa e Silva um crucifixo de ouro trabalhado, do século
XIX, que pertencera a um célebre poeta francês. Esta peça riquíssima fica
assentada num pedestal de oliveira.
Ao Governador Abreu Sodré, de São Paulo, enviou uma medalha também de ouro.
Quanto ouro! E se propala a notícia sobre a pobreza dos padres...
O Presidente da República compareceu. Fizera-se acompanhar de sua esposa.
Blindara-o rígida segurança sob a responsabilidade de 1.800 policiais.
Por acaso faltaria à Senhora Aparecida poder para protegê-lo?
De fato, alguns incidentes provocaram deapontamentos.
O Presidente chegou de avião no aeroporto da Escola de Especialistas de
Aeronáutica de Guaratinguetá. Muitos jornalistas o aguardavam. À última hora,
porém, cancelou-se o valor das credenciais fornecidas pelo Comando da Escola e
os rapazes da imprensa ficaram impedidos de se aproximarem do Supremo
Mandatário da Nação.
Na via Dutra, porque o legado do papa fora de automóvel de São Paulo a
Aparecida, 7 km antes de São José dos Campos, três dos carros da comitiva do
cardeal se chocaram causando vítimas.
A grande massa popular postada fora da basílica no aguardo do pontifício
"a latere", sofreu a inclemência da chuva intermitente e imprevista.
E o acidente automobilístico provocou o atraso da chegada do cortejo
cardinalício, obrigando os devotos à penitência mais prolongada das
intempérides metereológicas.
Estas ainda motivaram à última hora alterações em todo o programa.
Os aborrecimentos, todavia, foram um pouco compensados com alguns incidentes
jocosos.
"A Folha de São Paulo" (16 de agosto de 1967) relata: "Enquanto o
cardeal-legado não chega, o padre Antonio Siqueira, vigário da basílica, fica
no microfone. É quem provoca alguns sorrisos do Marechal e muitos da
assistência. Seu apelido é "Dom Camilo", por sua semelhança física e
modos 'acaipirados' de se dirigir ao público. Durante uma hora fez o povo dar
vinte vivas a Nossa Senhora Aparecida, ao Presidente, ao cardeal-legado, às
autoridades, a todo mundo. Depois da cerimônia, voltaria a puxar vivas e
alertar, pelo microfone, os romeiros sobre o perigo de ladrões por lá".
É! Ao Exército sobravam razões quando montou um dispositivo policial tão rígido
em torno da pessoa do Presidente.
Se junto da Senhora Aparecida, há tantos ladrões que numa solenidade
importantíssima, o vigário da basílica se vê na contingência de prevenir os
fiéis contra os "lanceiros", por que confiar na "santa"? Se
ela não protege os seus devotos dos ladrões, acaso protegeria o Presidente de algum
terrorista?
Ainda em seu exemplar de 16 de agosto de 1967, "A Folha de São Paulo"
conta: "Durante a cerimônia religiosa, Costa e Silva saiu do seu ar
sério e compenetrado. Um padre, junto com Dom Antonio Macedo, lhe trouxe, em
pergaminho, a ata da solenidade da entrega da Rosa de Ouro". Queria seu
autógrafo no pergaminho, depois pediria o de todas as autoridades civis ali
presentes...
O Presidente não conseguia escrever com a pequenina caneta, especial para tinta
nanquim. E borrou a sua assinatura depois de várias tentativas. Rindo, disse ao
padre que, "quando virem isso, vão pensar que o Presidente era
analfabeto".
A "sagrada fome de riquesas" rói o coração do clero. Dineiro é a sua
máxima preocupação. Enquanto fotógrafos e cinegrafistas, durante as
solenidades, procuravam fixar o legado papal nos mais diversos ângulos, o então
núncio apostólico, Dom Sebastião Baggio, comentou em italiano: "se cada
foto valesse um dólar, V. Excia. seria milionário".
Exposta na basílica de Aparecida, junto com a suntuosidade do templo e junto
com a imagem, o móvel central de tudo, a Rosa de Ouro, "símbolo de Maria,
a Rosa Mística, invocada na Ladainha Lauretiana", se tornou também objeto
de culto.
Diante dela os pobres devotos se ajoelham e através dela almejam obter bênçãos
da padroeira.
Com os intestinos roncando de fome se prostram diante do ouro...
Jesus multiplicou pães para saciar os famintos e o papa multiplica rosas de
ouro para, insultando a pobreza, agrilhoar as almas na escravidão da idolatria.
Esquece-se o papa do Precioso Sangue de Cristo, o Cordeiro Imaculado e
Incontaminado... E exibe ouro, como se ouro pudesse resgatar o pecador de sua
vã maneira de viver (1 Pedro 1:18-19).
Ao mencionar a "vã maneira de viver", o apóstolo Pedro se referia ao
culto de imagens taxado pela Bíblia com as expressões mais contundentes como
mentira, idolatria, falsidade, engano, adultério, prostituição e vaidade.
A
SANTACAP, CENTRO DE TURISMO
"A Capital Brasileira da Fé" é considerada um dos maiores centros de
peregrinação do mundo.
Eis o motivo principal para transformá-la num grande local de
turismo.
Como se encontra, a cidade de Aparecida é um escândalo de miséria. Miséria de
higiene nos insuficientes restaurantes. Miséria nos sanitários integrados numa
miserável e obsoleta rede de esgotos que despeja o volume de detritos no Rio
Paraíba, emporcalhando as águas onde fora descoberta a rica imagem e que serve
para dessedentar e envenenar a população. Miséria de água, porque além de
poluída, se esforça por chegar às torneiras através de um serviço hidráulico de
mais de 30 anos passados. Miséria de planejamento, a causa de subir o casario
colina acima, saturando desordenadamente a topografia.
Um grupo investidor da Capital Paulista decidiu aplicar bilhões de cruzeiros no
intento de tornar a cidade-santuário no principal centro de atração turística e
religiosa da América do Sul.
"Empreendimentos Nossa Senhora Aparecida" é a sociedade limitada que
se propõe a, numa área de 40 alqueires, construir o Parque de Aparecida, o
super-centro turístico-reeligioso.
Nele encontrar-se-á tudo para uma permanência mais prolongada dos romeiros e
turistas na cidade.
Planejam-se terrenos ajardinados, arborizados e urbanizados, com locais
próprios para as crianças brincarem e guardas especialmente treinados para
cuidar delas.
Uma lagoa com barquinhos, aves decorativas e pequenos iates para passeios
fluviais pelo Paraíba completarão o panorama ecológico.
Um jardim zoológico e outro botânico exibirão a fauna e a flora brasileiras.
Um museu iconográfico exporá as imagens mais veneradas em todas as regiões do
Brasil.
Capelas votivas recolherão os ex-votos. Reproduzir-se-ão os mais famosos
santuários do mundo (Fátima, Lourdes, Guadalupe, El Pilar e Luján) facilitando
a organização de festas religiosas com a participação das colônias
correspondentes no Brasil.
Lances da História Pátria serão recordados na cidade colonial, com instalações
nos moldes da Disneylândia, que reproduzirão fortes e outras construções do
Brasil Colônia, e pequenas lagoas terã réplica das caravelas de Cabral.
Uma estação rodoviária, dotada de "shopping center" bares e
restaurantes, receberá os ônibus de excursão. Repetir-se-ão por todo o Parque
as casas de lanche, churrascarias, estacionamentos e postos de serviço.
Instalar-se-ão motéis para hospedagem de famílias com carros em pequenos
bangalôs.
Um enorme e confortável hotel oferecerá acomodações completas para as classes A
e B.
Um teatro com concha acústica e auditório ao ar livre apresentará peças de
temas religiosos, cívicos, clássicos e folclóricos, e também concertos
musicais, danças típicas e missas campais.
Charretes e trenzinhos conduzirão os devotos-turistas a diversos passeios. Um
bondinho aéreo do tipo monotrilho circulará por toda a extensão do Parque e
também fará ligação com as duas basílicas, propiciando nas estações elevadas
mirantes e bares.
A Associação dos Romeiros de Aparecida, uma entidade religiosa já existente,
terá a sua sede social, com restaurantes, piscinas, salas de repouso e de
leitura, campos e quadras para a prática de esportes diversos, auditório,
cinema, capela e outras dependências.
O grupo "Empreendimentos Nossa Senhora Aparecida" lançou em fins de
1967 o projeto mirabolante.
No dia 6 de janeiro de 1968, o cardeal Agnelo Rossi, então arcebispo de São
Paulo, celebrou missa no Mosteiro de São Bento a impetrar o amparo da Senhora
Aparecida sobre os idealizadores presentes e genuflexos. Benzeu a maquete e os
projetos da ARA ("Associação dos Romeiros de Aparecida") e entronizou
a imagem aparecídica nos escritórios centrais da ENSA ("Empreendimentos
Nossa Senhora Aparecida"), instalados em São Paulo, à Rua Boa Vista, 314.
Fecundados os projetos e os planos com as bênçãos cardinalícias de Agnelo
Rossi, a ENSA passou a promover a venda de quotas de valor imobiliário e
comercial capazes de oferecer o direito à participação nos lucros em forma de
renda mensal crescente e reajustável.
A vasta propaganda feita pela grande imprensa, sob o título: "VAMOS
TRANSFORMAR APARECIDA NA MAIOR CIDADE-SANTUÁRIO DO MUNDO", anunciava:
"O preço de lançamento da QUOTA TOTAL é de Cr$655,00, fixo e não
reajustável, a ser pago da seguinte forma: Cr$55,00 de entrada e 30 prestações
mensais de Cr$20,00.
Propunha-se a ENSA dar imediato início às obras, que deveriam ser entregues por
etapas e concluídas totalmente até 1970.
Decerto a bênção de Agnelo Rossi redundou em maldição, pois já nos encontramos
em fins de 1974, quando se prepara a 10ª Edição deste livro, e as obras nem
começadas foram. Continuam restritas à maquete e aos engavetados projetos.
Quem sabe se no futuro outra bênção cardinalícia será mais forte do que a do
Rossi ou a Senhora Aparecida se compadecerá de outros empreendedores
propiciando-lhes a exploração de um negócio rendosíssimo.
OS
MILAGRES DE APARECIDA
O melhor processo criado pelo inferno para enganar os inadvertidos, anestesiar
a consciência do pecador e confundir a pureza límpida do Evangelho foi o dos
"prodígios miraculosos".
O milagre autêntico só pode ser realizado pelo poder de Deus, pois se trata de
um fenômeno que se dá além ou acima das leis da natureza, mudando o seu curso
normal num caso particular.
Jesus ao praticar muitos milagres tinha em mira patentear a Sua Divindade.
Nicodemos mesmo reconheceu-a por isso (João 3:2).
O cristão aceita o milagre, porém, dentro das normas da Bíblia, a sua Única e
Exclusiva Regra de Fé e Prática religiosa.
Portanto, todo o prodígio contrário às normas e aos ensinamentos da Revelação
Divina contida na Bíblia, não procede de Deus. Com efeito, Deus ameaça com
terríveis castigos aqueles que acrescentarem ou retirarem dela qualquer coisa
(Apocalipse 22:18–19). Ninguém tem o direito de acrescentar nada à Palavra de
Deus e quem o fizer é mentiroso (Provérbios 30:6).
Em matéria religiosa, tudo o que estiver fora da Bíblia é um acervo de
mentiras.
Satanás tem muito interesse em perverter as almas, apresentando-lhes doutrinas
espúrias, contrárias à Revelação de Deus. Os seus sequazes andam soltos,
fazendo prodígios até em nome de Deus!
Relativamente a estes é que Jesus advertiu: "Muitos Me dirão naquele dia:
Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu Nome, e em Teu Nome não expulsamos
demônios e em Teu Nome não fizemos muitas maravilhas? E, então lhes direi
abertamente: nunca vos conheci; apartai-vos de Mim, vós que praticais a
iniqüidade" (Mateus 7:22–23).
Esses prodígios são iniqüidade!!! Mesmo feitos em Nome de Deus, mas contra Sua
Santíssima Vontade revelada na Bíblia!
É uma iniqüidade o que o clero pratica no Brasil, Ludibriando o povo!
A Bíblia é categórica em proclamar: "Há um só Mediador entre Deus e os
homens, Jesus Cristo, homem" (1 Timóteo 2:5).
A Bíblia é peremptória ao preconizar: "De tanto melhor concerto Jesus foi
feito fiador... Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por Ele se
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:22 e
25).
A Bíblia, repito, é explícita ao anunciar: "...se alguém pecar, temos um
Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E Ele é a propiciação pelos
nossos pecados..." (1 João 2:1–2).
Todo o Novo Testamento revela a Total Suficiência de Jesus Cristo, como
Salvador, Mediador e Advogado.
Enganaram-se muitos evangélicos ao supor que o romanismo com o seu Concílio
Ecumênico Vaticano II estaria disposto a reformar suas doutrinas nefastas,
aproximando-se da Palavra de Deus e aceitando Jesus Cristo como Único e
Todo-Suficiente Salvador, Mediador, Intercessor e Advogado.
O romanismo, porém, confirmou os seus velhos dogmas, contrários à Bíblia e
engendrou outros...
Negando ao Nosso Bendito Salvador a exclusividade restrita e conseqüente de
todos aqueles atributos, em discrepância absurda da Bíblia, exalta Maria como
advogada, auxiliadora, protetora, medianeira, aberrando dos ensinamentos claros
de Deus.
Engajada nesse mesmo torvelinho de heresias está a Senhora Aparecida sobre quem
o cardeal Vasconcelos Motta, arcebispo de sua Arquisiocese, escreveu, em 1º de
janeiro de 1967, para comemorar o 250º aniversário da falcatrua, uma carta
pastoral, classificada pelo chaleirismo do órgão católico: "O São
Paulo" (22 de janeiro de 1967) como "um tesouro de magistério".
Nesse "tesouro de magistério" – magistério do inferno porque
absolutamente contrário à Revelação Divina e, ignominiosamente depreciador de
Jesus Cristo! – nesse "tesouro de magistério", repito, falando
da Senhora Aparecida, como medianeira, advogada e intercessora, saiu-se o
cardeal aparecidopolitano com esta heresia blasfema: "Ora
intercedendo por nós, embora pecadores, a maior santidade, o maior nome e a
maior dignidade, como poderá resistir a Justiça Divina ou negar a Sua
Misericórdia a uma tão forte, suave e poderosa intercessão? Intercessão é o
meio entre dois extremos; para ser poderosa e eficaz, há de tocar a ambos:
Deus, a quem intercede, e os pecadores, por quem intercede. E a Senhora posta
entre Deus e os pecadores, quão chegada é a um e a outro extremo? É tão chegada
a Deus que só lhe falta ser Deus; é tão chegada aos pecadores que só lhe falta
o pecado".
Confrontem-se essas expressões pós-conciliares
com a doutrina de Deus demonstrada nos versículos bíblicos acima citados. São
incompatíveis!
Torna-se evidente que os "milagres" da Aparecida não procedem do
poder de Deus porque não são consentâneos com a Sua Vontade expressa em Sua
Revelação, a Bíblia Sagrada.
Procedem, sim, do inferno para perverter as almas! Constituem-se na marca da
apostasia!!!
Os seus pregoeiros e divulgadores se aliam com os falsos profetas referidos por
Jesus Cristo (Mateus 24:24).
A religião dos crendeiros aparecidanos consiste em fazer promessas e esperar
milagres.
Anestesiados pelas mentiras ridículas com que os padres os ludibriam, por
qualquer pretexto, fazem seus votos à "santa" pescada em Itaguassú.
A excêntrica "sala de milagres" revela como são entorpecidos na
prática de uma religião de fábulas e embustes.
O devoto faz a sua promessinha de mandar uma fotografia para ser exposta na
"sala dos milagres", mas, ao mesmo tempo, coloca na pereba a pomada
que o "doutor" receitou. Quando sara, foi milagre da Aparecida. Se
não melhora, o médico é que não presta!
A moça se apavora com a possibilidade de ficar solteira e embarca, para se
livrar dessa conjuntura, no primeiro bonde que aparece; e manda as tranças dos
seus cabelos, como ex-votos, para serem dependuradas na "sala dos
milagres". Quem lucra são os padres porque as vendem caríssimo aos
fabricantes de perucas...
Um time de futebol sagra-se campeão de qualquer torneio, os seus jogadores vão
em romaria, levar à "incomparável" as esmolas das promessas.
No concurso de miss-Brasil, em 1956, ouvi pelo rádio o general Porfírio da Paz,
devotíssimo aparecídico, invocar as bênçãos da Senhora Aparecida em favor das
beldades semi-nuas.
Durante três anos freqüentei assiduamente a basílica e jamais vi um milagre...
Milagre, milagre mesmo, isto é, ressuscitar um morto, como Lázaro (João 11:1-45),
dar vista a um cego de nascimento (João 9:1-7), fazer aparecer um braço no
lugar do amputado, colocar um pulmão novo no lugar do extraído... ela nunca
fêz!
A Senhora Aparecida é tão incapaz em matéria de milagre que é uma coitada!
Garanto que, se cair so seu nicho, espatifar-se-á no chão!!!
A sua cidade está cheia de aleijados, estropiados e cegos a mendigar pelas
ruas. Se os padres abastados de ouro e dinheiro não os socorrem porque são
avarentos, a Senhora Aparecida, de sua parte, nem lhes dá atenção aos gemidos.
Ela é tão coitada que não tem poder nem de curar de lombrigas as crianças dos
seus devotos. Por isso, a sua emiossora faz propaganda de vermífugos.
Frustra-se o diabético que se socorre de sua valia... Os padres da basílica,
então, reconhem-na tão fraquinha que, por meio do seu jornal, lhe recomenda o
"corpo medicinal".
Reconhecem-na tão ineficiente que, aos devotos alcoólatras, aconselham produtos
farmacêuticos.
O "Santuário de Aparecida", "órgão oficial da Basílica Nacional
de Nossa Senhora Aparecida", desapontou-se tanto com a impotência da
"incomparável" milagrenta que, a par da propaganda de produtos
farmacêuticos, veiculada em suas poucas e desengonçadas páginas, abriu um "Consultório
de Medicina Caseira", sob a responsabilidade do Frei Esculápio.
Ainda mais desapontados devem estar os seus devotos com a retumbante
demonstração de impotência da "incomparável senhora" verificada na
oportunidade da fuga da ursa "Negrito" de sua jaula.
Os supersticiosos cismam com o dia 13 e pior ainda quando cai de sexta-feira.
Para aumento do medo deles o fato ocorreu no dia 13 de setembro, sexta-feira,
de 1968.
Um cidadão aparecidólatra, residente em Avaré, Estado de São Paulo, leu esse
fato numa das edições anteriores deste livro. REvoltado, quis uma entrevista
comigo. Interrogado sobre a fonte de informação a respeito, retruquei-lhe com a
pergunta sobre o jornal que considerava mais sério e absolutamente idôneo em
suas notícias.
Respondeu-me ser "O Estado de São Paulo", "um dos jornais mais
importantes do mundo".
Eis o relato desse órgão da imprensa paulista em seu exemplar de 14 de setembro
de 1968:
"A ursa 'Negrito' escapou ontem de manhã de sua jaula no Zoológico de
Aparecida do Norte, impôs à cidade três horas de pânico e medo, e acabou sendo
capturada graças à habilidade do "capitão Álvaro", domador do Circo
Berlim, ora se exibindo na cidade. Uma guarnição do Corpo de Bombeiros e tropas
da Força Pública e da Escola de Aeronáutica foram enviadas com urgência ao
local".
Depois de pormenorizar a fuga, prossegue o órgão:
"A notícia espalhou-se, rápida, pela cidade, causando pânico. O socorro
veio rápido também: Corpo de Bombeiros, soldados da Força Pública e da Escola
de Aeronáutica da FAB, e todos os que supunham ter condições de ajudar.
Evitou-se atirar em 'Negrito', mas o trabalho para recapturá-la foi exaustivo e
cheio de perigos. Por volta de meio-dia e meia todos já estavam ficando
exaustos e desalentados, quando o domador 'Capitão Álvaro', usando o laço com
habilidade, conseguiu imobilizar a fera. Sangrando um pouco no focinho,
'Negrito' voltou à jaula, vigiada, agora, com atenção redobrada".
Por que a mobilização de tantas forças? Por que tamanho aparato bélico?
Lá não estaria a "santa" Aparecida para proteger os habitantes da
cidade onde se instalou o seu trono? Não é ela a "incomparável"
protetora?
Acaso assustara-se a Cidoca com os 2 metros de altura e os 480 kg de peso da
fera, que come, por dia, 40 kg de polenta, 20 de maçãs, 5 de verduras e 1 litro
de mel?
A "incomparável" protetora nem se spiedou do pobre veadinho-campeiro
estraçalhado pela ursa, que, na hora da fuga, o arrancou da jaula.
Porque nehum aparecidense confia realmente na "santa", o alívio só
aconteceu quando todos se certificaram do reenjaulamento do animal feroz.
A Senhora Aparecida, no entanto, foi desmoralizada na sua impotência com a
manchete de alguns jornais: "Ursa Causa Três Horas de Pânico" (O
Estado de São Paulo de 15/9/68); "Diabo Esteve à Solta 3 Horas em
Aparecida do Norte" (Diário da Noite, de igual data).
Em Aparecida se concentram, por ser excelente mercado, numerosos vendedores de
bilhetes de loteria federal. Preferem os devotos-romeiros fazer a sua fezinha
na SANTACAP porque, quem sabe, o palpite será abençoado pela
"incomparável" Senhora com a sorte grande. No dia da fuga da
"Negrito" todos os gasparinos foram vendidos e os bilheteiros ficaram
imposssibilitados de atender o enorme volume da procura. O resultado da
loteria, porém, desapontou os apostadores: não "deu urso"!
A SANTACAP é o reduto da idolatria com todas as suas trágicas conseqüências.
Como IDOLATRIACAP é ROUBOCAP. EXPLORAÇÃOCAP. MISÉRIACAP. PROSTITUIÇÃOCAP.
DESGRAÇACAP.
Os ladrões e marginais agem dentro e fora da basílica. Lá estão os lanceiros
batendo carteiras. E que autoridade têm os padres redentoristas se querem
coibir semelhantes crimes? Se eles exploram a credulidade pública!
A exploração desbragada campeia no comércio. Nas lojas, inclusive dos clérigos,
o que controla o preço é a aparência do freguês, que nem sempre consegue nota
fiscal da mercadoria comprada.
Faz milagres a Senhora Aparecida? Por que, então, não purifica o ar de sua
cidade, empestado pelo mau cheiro exalado do Rio Paraíba, onde se despeja o
esgoto da cidade?
Por que ela não cura os miseráveis que se arrastam, mendigando, pelas ruas,
como opróbio da humanidade? Será que tão dolorido espetáculo não a comove?
Por que ela não faz o milagre de converter os padres em seres mais humanos?
Por que ela não sensibiliza os seus devotos romeiros excitados pelas raparigas,
em número elevadíssimo, impedindo-os de entrar nos bordéis, onde se corrompem
os corpos com a sífilis e doenças venéreas?
Por que ela não regenera essas desgraçadas mulheres traficantes de suas
próprias carnes? Essas mulheres que se instalam em Aparecida exatamente por
ocorrer lá maior procura do que a oferta?
Sim! A responsabilidade de tantas misérias materiais e morais recai sobre a
idolatria, ensinada, divulgada, incrementada e explorada pelo clero...
A Senhora Aparecida é uma "incomparável" ingrata! Permite que recaiam
sobre a sua cidade e o Vale do Paraíba as piores desgraças justamente quando
lhe são oferecidas as mais solenes homenagens.
Não se constrói agora a sua grande basílica, um dos templos mais soberbos do
mundo?
O povo não tem aumentado as romarias em sua honra, quando em multidões se
prostra adorante aos seus pés?
Não lhe foi oferecida uma ROSA DE OURO, símbolo do seu título de Rosa Mística e
munificência do papa, o cognominado vigário de Cristo na terra?
Para o seu culto o povo pobre não tira da miséria dos seus filhos?
Ingrata!!! Sim, ingrata, mil vêzes ingrata que ela é!!!
No Vale do Paraíba nunca se ouviu falar em esquistossomose. Mas, em 1953 – no
ano seguinte ao do início das obraw da nova basílica – aconteceu o primeiro
caso. E hoje a esquistossomose infesta todo o Vale do Paraíba. A praga está ali
debaixo dos olhos da "miraculosa" Senhora, minando a saúde de
milhares e milhares de pessoas.
Já em 1967, no ano da entrega da ROSA DE OURO, o Instituto Adolfo Lutz, de
Taubaté, informou haver na região da Senhora Aparecida, 2.161 casos comprovados
de doentes de esquistossomose, distribuidos da seguinte forma, cidade por
cidade:
|
Taubaté:
|
474 |
|
Roseira: |
359 |
|
Jambeiro: |
30 |
|
Monteiro
Lobato: |
2 |
|
Tremembé:
|
107 |
|
Guaratinguetá: |
40 |
|
S.J.dos
Campos: |
243 |
|
Cachoeira
Paulista: |
2 |
|
Pindamonhangaba: |
500 |
|
Lorena: |
7 |
|
Santa
Branca: |
14 |
|
Quiririm: |
1 |
|
Aparecida: |
118 |
|
Caçapava: |
152 |
|
Jacareí: |
4 |
|
Redenção
da Serra: |
5 |
Note-se: a incidência do mal se acentua nas cidades mais próximas de Aparecida.
Roseira, a mais próxima, por exemplo, dentre todas, se não é a menor, é uma das
menores. E, em 1967, apresentou 359 casos diagnosticados!
A ingrata recompensou a sua região, em 1968, logo depois de haver recebido a
rósea e áurea honorificência pontifícia, com uma longa seca.
Pelo seu poder de "incomparável Senhora" se vinga dos devotos
valendo-se até da meteorologia. Em Dezembro de 1967, a leitura mínima do nível
do Rio Paraíba foi de 2,66m. Em 1968, no segundo domingo de dezembro, o rio
tinha o seu nível fixado em 1,50m; caindo no dia 16 para 1,48m pela manhã e
1,40m à tarde.
A barragem de Santa Branca, pertencente ao grupo Light (a grande empresa da
energia elétrica dos principais centros industriais e populacionais do País:
São Paulo e Rio de Janeiro), é uma das obras regularizadoras do Rio Paraíba.
Seu objetivo é o de gerar energia nas usinas que integram o aproveitamento do
Ribeirão das Lajes, abastecendo várias indústrias, como a Usina Siderúrgica
Nacional, sediada em Volta Redonda. Sua capacidade é de 424 milhões de metros
cúbicos por segundo e sua vazão média, no local da barragem, é de 78 metros
cúbicos por segundo. Em 1968, porque os índices pluviométricos foram muito
abaixo do normal, faltou água para cobrir aquela capacidade, provocando enormes
prejuízos às populações trabalhadoras da região e ao próprio País.
Se a ingratidão da "santa" se revelou nessa longa estiagem,
manifestou-se também com o forte temporal desabado durante meia hora apenas, em
26 de dezembro de 1968, inundando toda a parte baixa de Aparecida, e
derrubando, em conseqüência, muitas casas. Casas dos pobres. Daqueles que
conservam afixada na porta ou na parede da sala, a oração: "Oh,
incomparável Senhora..."
Retribuiu a Senhora o início das obras de sua majestosa e arquibilionária
basílica, em 1953, com o início da esquistossomose no Vale do Paraíba, a
proliferar assustadoramente. Que se cuidem as autoridades sanitárias porque da
Senhora Aparecida, os seus devotos só podem esperar ingratidão. Que se cuidem
essas autoridades porque de Aparecida as multidões de romeiros ávidos das
"graças", voltarão para suas cidades, levando, como desgraçado
presente o vírus da esquistossomose...
Retribuiu a Senhora a ROSA DE OURO com aquela longa estiagem e com a troba
d'água.
Terá a ingrata retribuído também a criação de sua Arquidiocese?
É claro! Em 1958, o ano da instalação da Arqudiocese de Aparecida, aconteceu no
Vale um estado de calamidade pública com a proliferação da raiva demosdina
(semelhante à raiva canina, conhecida também como
"hidrofobia"). É uma doença infecto-contagiosas e se inclue
entre as zoonoses, isto é, transmite-se dos animais ao homem, tornando-se
letal. Primariamente, é transmitida por morcegos hematófagos (que se alimentam
de sangue). Pode, ainda, ser transmitida por outras espécies de morcegos, como
os insetívoros (devoradores de insetos) e frugívoros (que se alimentam de
frutos).
Uma das características do vírus é o seu tropismo especial pelo sistema nervoso
(aloja-se de preferência nos centros nervosos da vítima) e ai, em seu reduto
preferido, não pode ser combatido e o enfermo (animal ou pessoa) morre.
O único combate à enfermidade é o preventivo por meio de séria profilaxia,
porque, uma vez manifestada, é impossível a sua cura.
Rebanhos de gado, em todo o Vale do Paraíba, ali nos redutos da
"milagrosa", foram dizimados. Muitas famílias se cobriram de luto com
a morte de seus membros, embora, desesperadas, clamassem valimento da ingrata
"incomparável protetora"...
Em 1968, além da estiagem e da tempestade, os focos de morcegos portadores do
vírus da demosdina, cooperaram com a ingrata, cuja basílica havia sido
enriquecida com a ROSA DE OURO, espalhando outra ez o terror nas regiões
aparecídicas.
A Senhora Aparecida faz-nos lembrar o mandamento do Senhor: "Não farás
para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há encima nos céus,
nem embaixo da terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas
nem as servirás; porque eu, o Senhor Deus, sou Deus zeloso, que visito a
maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração daqueles que Me
aborrecem, e faço misericórdia em milhares aos que Me amam e guardam os Meus
mandamentos: (Êxodo 20:4–6).
Deus não tem o culpado por inocente (Êxodo 34:7). E a Sua Glória não dá a
outrem (Isaías 48:11). Nem à Senhora Aparecida! E muito menos à Senhora
Aparecida!!!
A "santa" aparecida no Porto de Itaguassú, em 13 de outubro de 1717,
foi um estratagema do falsário e ambicioso clérigo José Alves Vilela. A sua
trapaça, porém, foi tão mal feita que o clero, nesse legado de abusões, não
encontrou ainda elementos para transformar a fraude em matéria de fé. Até mesmo
para esconder a estátua disforme, cobre-a, de alto a baixo, com um manto azul,
preso com a coroa de ouro, o que lhe dá o formato de um triângulo.
Apesar de tudo, porém, vão os padres enganando o povo crendeiro.
A atitude favorável a essa devoção, por parte do clero, visa exclusivamente a
exploração comercial dos supersticiosos.
O monge beneditino, Estevão Bettencourt, sócio dessa empresa de especulação da
credulidade pública, afirma que "a bem da verdade, deve-se
notar que tal atitude favorável é independente de qualquer pronunciamento da
autoridade eclesiástica sobre a genuidade dos prodígios que se narram em torno
da Virgem e do santuário de Aparecida" (In PERGUNTE E
RESPONDEREMOS – 71/1963, questão 5).
"A bem da verdade..." Leiam-se de novo as declarações do monge
Bettencourt!
Que coisa!!!
Os reverendos proclamam tanto a eficiência da devoção à Aparecida de terracota,
divulgam os seus "milagres" e expõem, em sala adequada, tantos
ex-votos e não podem sair desta: nem esses "milagres"merecem qualquer
pronunciamento oficial sobre a sua genuyidade...
Pestes, tempestades, doenças, secas, a "ingrata" não pode impedir...
E permite – o que é pior de tudo – sejam assim ludibriados os seus devotos!
É mesmo uma trapaça essa Senhora de terracota!
Desde menino, ouvi muitas vezes o milagre da libertação de um escravo na hora
de ser, preso ao tronco, retalhado com chicote em castigo de sua fuga.
Foi mentira! Isso não aconteceu.
Se quem nega a veracidade desse episódio, fosse um evangélico, logo sofreria
insultos dos carolas fanáticos. Mas, quem diz ser isso uma mentira, uma lenda
fantasiosa, é o devoto Fred Jorge, em seu livro: "APARIÇÃO E MILAGRES DE
NOSSA SENHORA APARECIDA" (Editora Prelúdio Ltda., São Paulo, 1954). Este
livro foi sacramentado com o Imprimatur, que, por
delegação do cardeal e sob a chancela da cúria paulopolitana, lhe apôs o cônego
J.LafaYette, posteriormente bispo auxiliar da Capital de São Paulo, e, em
seguida, bispo diocesano ("ordinário") em Bragança Paulista.
Esse mesmo livro, sacramentado, indulgenciado e "aguabentado" por um
solene Imprimatur do ordinário paulista, diz que,
"para enumerar todas as graças concedidas seriam precisos muitos volumes
de milhares de páginas..." (pág. 20). Propõe-se Fred Jorge colher alguns
dentre aquela quantidade enorme, a fim de apresentá-los aos leitores. Contudo,
por falta de autenticidade e seriedade nesses tantos, apresenta, uns poucos
apenas, esclarecendo a sua necessidade de usar de fantasia (página 22).
É! Depois de tanta fanfarronada, condessa-se fantasmagórico!
Teve razão aquele padre da basílica que, em princípios do anos de 1961,
disse-me, referindo-se à Aparecida:
"Ela
não tem valor algum. Nós gostamos dela porque nos traz muito dinheiro".
Teor da
carta de 12/11/71 de D.Agnelo Rossi a D.Evaristo Arns.
Firma reconhecida no Cartório do 1º Ofício de Notas - S.Paulo e
AUTENTICADA no 25º Cartório de Notas - Tabelião Milani em 15/12/71:
Roma, 12 de Novembro de 1971
Exmo snr. D.Paulo Evaristo Arns,
PAX ET BONUM
Faço votos de que os seus empreendimentos à frente da saudosa
Arquidiocese de São Paulo estejam se concretizando.
Tivemos conhecimento da sentença judicial favorável ao Padre Aníbal
Pereira dos Reis. Certamente ele tomará medidas para proclamar e divulgar
amplamente essa decisão porque isso lhe interessa. É lamentável que a sorte lhe
haja favorecido. Agora, por certo, ele se inflamará ainda mais na sua
pertinácia de pregador protestante.
Como seu antigo professor e observador de suas atividades como seu
bispo que fui, reconheço ser ele um dos sacerdotes mais cultos do Brasil. É
invejável a sua enorme capacidade de trabalho. Inteligente, culto é, ainda,
teimosamente trabalhador. No momento é o herege mais em evidência no Brasil e
quem mais perturba o avanço do ecumenismo. Não fosse ele e muito mais já se
teria conseguido. Os seus livros, além de suas pregações, vêm causando enormes
dificuldades para os nossos planos aí no Brasil. Tememos que essa literatura
seja traduzida em outras línguas, o que iria alastrar o mal em outros países.
O Santo Padre, informado de tudo e apreensivo, solicita-lhe, por meu
intermédio, que insista nas reuniões da CNBB para que se estudem medidas a
serem adotadas para coibir e neutralizar os efeitos do trabalho desse
sacerdote. Se nós o perdemos, o que foi enorme prejuízo, agora é necessário
barrar-lhe a impetuosidade.
O que fazer? Como já disse, é preciso que se estudem medidas adequadas.
Talvez promover alguma coisa para desmoralizá-lo entre os próprios
protestantes.
Os bispos do Brasil devem se convencer de que o Padre Aníbal é o
sacerdote que atualmente mais causa preocupações a Paulo VI, que está
sumamente interessado numa urgente solução.
Mande-me sempre notícias, bem como recortes interessantes de jornais e
revistas.
Envie-me também informações sobre o exame e as medidas a serem tomadas
pela CNBB sobre o assunto Padre Aníbal Pereira dos Reis a fim de manter
informado o Santo Padre.
Com um abraço de + Agnelo Rossi
|
Abaixo transcrevemos um texto que se encontra na página
20, do capítulo 5, para que tenham uma idéia do que será apresentado. Já está
disponível, na íntegra, TODOS OS CAPÍTULOS DESTE LIVRO. |
" ...
O Conde de Assumar toparia com uma barreira formidável a lhe
embargar a consumação dos seus propósitos.
É que os frades eram "dos elementos mais perniciosos entre os que tinham
entrado e continuavam a entrar com as avalanches, que enchiam aqueles
distritos, e não só porque se entregavam desenfreadamente ao ganho como todo
aquele mundo, mas ainda porque, valendo-se do seu ascendente sobre o espírito
da massa, eram quase sempre os promotores de todas as desordens".
Desgraçadamente os compêndios de História do Brasil adotados por nossas escolas
aureolam os padres e os frades do tempo da nossa Colonização com as glórias de
heróis. Os seus autores sabem que, se disserem a verdade, os seus livros não
terão guarida nos ginásios, em grande parte, dirigidos, maquiavelicamente, por
padres e freiras, ou deles recebem "orientação".
Aquelas nossas informações, acima entre-aspeadas, são de Rocha Pombo,
registradas em sua História do Brasil (Rio de Janeiro - 1905, vol 6, página
245) cuja PRIMEIRA EDIÇÃO deveria ser lida por todo intelectual patrício.
Destaco em caixa alta a PRIMEIRA EDIÇÃO porque as subseqüentes foram
criminosamente resumidas e mutiladas. Destas podaram-se todos os informes sobre
os latrocínios, extorsões, atrocidades e crimes cometidos pelos clérigos
missionários.
A maioria dos brasileiros supõe que naqueles tempos, Portugal açambarcava todo
o ouro bateado pelos lavageiros ou garimpado nos veios das rochas. Supõe-se,
também, que, em tempos posteriores, a Inglaterra usurpou-o das bruacas
lusitanas. Verdade é que o Reino estabelecia impostos, arrecadados pela
quintagem, com o fim de beneficiar o seu erário.
Os frades, contudo, não vieram para o Brasil com a missão de catequizar. O
Historiador Rocha Pombo, no passo já referido, informa-nos que o Conde de
Assumar, dentre as questões a enfrentar, tinha de se haver com a da
"expulsão de todos os religiosos regulares que não tivessem naquela
Província do seu domínio uma função certa, própria do seu apostolado".
Tinham esses "religiosos" (frades cognominados pela legislação
romanista de "religiosos regulares") outra incumbência bem diversa da
apregoada e que causou graves prejuízos ao Brasil. Vieram carrear ouro para o
papa e para os seus conventos na Europa!
O ouro do Brasil, em grande parte, encontra-se ainda hoje em poder do Vaticano,
que o faz ocupar o segundo lugar mundial no mercado desse valor precioso, cujas
reservas o papa deposita no Federal Reserve Bank, em Washington.
..."
ANÍBAL
PEREIRA DOS REIS
Nascido
aos 9 de março de 1924 em São Joaquim da Barra, no Estado de São Paulo. Filho
de católicos: Manoel Pereira dos Reis e Emília Basso Reis, desde a infância
aspirou servir a Deus.
Com
esse propósito, submeteu-se à ordenação sacerdotal aos 8 de dezembro de 1949,
em Montes Claros, no Estado de Minas Gerais, depois de haver feito os seus
estudos eclesiásticos na Faculdade Teológica da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo.
Naquela
cidade do Norte Mineiro, além de professor de literatura portuguesa e de
matemática, coadjutor da catedral, confessor do Colégio Imaculada Conceição,
Diretor do jornal diocesano "Tribuna do Norte", Diretor Diocesano do
Ensino Religioso, desenvolveu amplas atividades do setor de assitência social,
criando e dirigindo o Círculo Operário de Montes Claros.
Transferido
para o Recife, Capital de Penambuco, em 1952, prosseguiu as mesmas atividades
sociais à frente da Companhia de Caridade, que, sob sua administração, chegou a
ser, como rede de orfanatos e asilos para velhos, a maior e a mais bem
organizada obra social católica do País. Tido como excelente conselheiro, seu
confessionário era procuradíssimo por muita gente, inclusive freiras e
sacerdotes.
Na
aspiração de melhor servir no confessionário, fez curso de neuro-psiquiatria.
Veindo
para o Estado de São Paulo, em 1960, foi pároco em Guaratinguetá e em Orlândia.
Vastíssima
folha de serviço deve-lhe o catolicismo.
Sua
ânsia de conhecer sempre mais, levou-o também a fazer o curso de ciências jurídicas.
Apesar
de ser muito apreciado em seus trabalhos, jamais conseguiu tranquilizar o seu
coração anelante. Quanto mais confissões atendia, mais o seu coração se
angustiava. Ansiava ter segurança espiritual conseqüente da certeza de sua
salvação.
Em
1961, começou, dirigido pelo Espírito Santo, a estudar a Bíblia com toda a
sinceridade de alma.
Deus
lhe proporcionou, através do novo nascimento, a alegria perene de possuir
segurança inabalável de sua salvação.
Com
a aceitação de Jesus Cristo, como seu Único e Todo Suficiente Salvador,
abandonou a batina e se afastou do catolicismo romano. Em 30 de maio de 1965,
fez sua pública decisão por Jesus Cristo e a 13 de junho seguinte desceu às
águas, cumprindo uma das ordenanças de Cristo.
Cumprindo
determinações impostas por Deus, em seu coração, tornou-se missionário do
Evangelho. Deus vem abençoando ricamente esse ministério. Sua longa experiência
de sacerdote angustiado, agora se trnasformou em instrumento do poder de Deus
para a conversão de inúmeras almas.
Foi promovido para junto do Senhor em 30 de maio de 1991.
LEIA A SUA AUTOBIOGRAFIA: "ESTE PADRE ESCAPOU
DAS GARRAS DO PAPA !!!"